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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Como nasceu a bunda moderna




Os responsáveis pela bunda como é conhecida na atualidade, e aí me refiro ao conceito contemporâneo de bunda, ou seja, a bunda como ela é, são os africanos.
Mais especificamente os angolanos e os cabo-verdianos.
Para ser ainda mais preciso, as angolanas e as cabo-verdianas.
Foram elas, angolanas e cabo-verdianas, que, ao chegarem aqui durante as trevas da escravatura, revolucionaram tudo o que se sabia sobre bunda até então.
Foi assim: naquela época, a palavra bunda não existia.
Os portugueses, quando queriam falar a respeito das nádegas de uma cachopa, diziam, exatamente isso, nádegas.
Ou região glútea, tanto faz.
Aí, os escravos angolanos e cabo-verdianos chegaram ao Brasil.
Só que eles não eram conhecidos como angolanos nem cabo-verdianos.
Eram os bantos chamados bundos, que falavam o idioma "ambundo".
Ou "quimbundo". A língua bunda, enfim.
Os bundos, esses, em especial as mulheres bundas, possuíam a tal região glútea muito mais sólida, avantajada, globosa.
Os portugueses, que, ao contrário do que se acredita, não são bobos, logo encompridaram os olhares para as nádegas das bundas.
Uma delas passava diante de uma turma de portugueses e eles já comentavam:
- Que bunda!
Em pouco tempo, a palavra bunda, antes designação de uma língua e de um povo, passou a ser sinônimo de nádegas.
E assim nasceu a bunda moderna.

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sábado, 28 de abril de 2012

Esse mundo não vale o mundo (13)




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A ilusão da escolha.

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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Redes e aquários



João Pereira Coutinho, Folha de SP

Há um novo crime na praça. E eu sou culpado aos olhos de amigos, colegas, até leitores. Não respondo a e-mails de imediato. Só passados alguns minutos -ou algumas horas.
Defendo-me como posso. Digo, a sério, que só consulto a internet duas vezes por dia -ao acordar e ao deitar. Questão de higiene -mental. Curiosamente, quase sempre estou a escovar os dentes. 
Ninguém acredita. E, quem acredita, diz que isso não é desculpa: existem uns celulares que recebem e-mails em tempo real e permitem respostas em tempo real.
Agradeço a informação, mas não era preciso: eu próprio já recebi e-mails do gênero, que terminam com a declaração solene "esta mensagem foi enviada por iPhone".
Nunca sei que responder: mostrar-me abismado com a proeza e aplaudir a grande honra que o sujeito me concedeu?
Às vezes, há situações bizarras. Alguém envia um e-mail. Minutos depois, envia outro, só para perguntar se eu recebi o primeiro. Duas ou três horas depois, vem mais um -dessa vez, uma repetição do inicial, para o caso de eu não ter lido.
Essa comunicação unilateral termina com um quarto ou um quinto, em que sou acusado das maiores baixezas (indiferença, preguiça, hostilidade etc.).
Em poucas horas, alguém iniciou e terminou uma comunicação comigo sem que eu jamais estivesse presente para dizer "presente!". Que se passa com o mundo?
Os especialistas no assunto, psicólogos e sociólogos que pesquisam os paradoxos da internet, afirmam que estamos cada vez mais ligados e exigimos respostas cada vez mais rápidas uns dos outros. Certo, especialistas do óbvio, certíssimo.
A questão, porém, deve ser outra: que tipo de gente a internet está a produzir no século 21? 
Foi precisamente essa pergunta que o escritor Stephen Marche formulou em artigo para a revista "The Atlantic" ("Is Facebook Making Us Lonely?"). As conclusões não são otimistas: estamos todos ligados, mas essa sensação de contato permanente não significa que o nosso isolamento (e a nossa solidão) decresceu.
O Facebook é, inevitavelmente, um caso clássico: que significa esse imenso continente virtual onde "existem" 845 milhões de pessoas, onde se publicam bilhões de comentários diários e onde se postam 750 milhões de fotos por semana?
Stephen Marche não faz parte dos luditas modernos para quem o Facebook é a "bête noir" da civilização ocidental. A resposta dele, depois de ler os últimos estudos sobre o fenômeno, é de uma sensatez que arrepia: a internet é um meio, não um fim. O que somos como seres sociais depende da forma como usamos as redes sociais.
Que o mesmo é dizer: quem usa o Facebook para substituir a realidade não aumenta o seu "capital social". Pelo contrário, pode mesmo sentir o isolamento típico de um peixe que contempla o mundo através do vidro do aquário. Paralisante. Angustiante.
No artigo, o autor cita um neurocientista da Universidade de Chicago, John Cacioppo, que oferece uma metáfora ainda melhor: podemos usar o carro para ir ao encontro de amigos; ou podemos dirigir sozinhos pelas ruas da cidade. O mesmo carro, duas atitudes distintas.
A internet, e as redes sociais que ela comporta, é apenas um instrumento para, não um substituto de. O desafio, leitor, não está em quebrar o aquário. Está em sair dele de vez em quando. 
Sair. Desligar. Não estar disponível. Ou, como escreve Stephen Marche, "termos a oportunidade de nos esquecermos de nós próprios".
Eis, no fundo, a observação mais luminosa do ensaio: a nossa constante disponibilidade para os outros é apenas uma manifestação mais profunda do nosso insuportável narcisismo. E o narcisismo, como sempre, nasce de uma insegurança que procuramos preencher com o culto doentio do ego. 
Pensamos que somos tão imprescindíveis que temos de estar presentes 24 horas por dia na vida alheia. E vice-versa: pensamos que somos tão importantes que os outros têm de estar permanentemente disponíveis para nós.
Lamento, amigos. Lamento, colegas. Lamento, leitor. Os meus silêncios não têm nada de pessoal. Nem eu nem você somos assim tão importantes.

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quinta-feira, 26 de abril de 2012

O cão não é o vilão!




Este site faz parte dos projetos "O cão não é o vilão" e "Diga não à leishmaniose".
A ideia é mostrar que o cão não é o culpado - por que, então, é ele que está sendo morto?

O que eu já escrevi sobre o assunto: Pelo fim da pena de morte no Brasil

Abaixo, o folder da primeira campanha.



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quarta-feira, 25 de abril de 2012

terça-feira, 24 de abril de 2012

Esse mundo não vale o mundo (12)



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Retirado desses posts de internet.



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segunda-feira, 23 de abril de 2012

domingo, 22 de abril de 2012

Eu não sei fazer poesia




Lembro de nós dois a todo momento
Sua presença em mim, forte emoção
Luz nos olhos, a doce sensação
De que você retorne com o vento

Presença constante em meu pensamento
Sua ausência deixando solidão
É sempre um eclipse em meu coração
Ofuscado pelo seu passamento

Nunca mais pra mim a sua alegria
Lá em casa que, agora parada
Todo dia é cada vez mais vazia

E a minha vida agora acabada
Sente falta de ter no dia a dia
Seu amor aberto numa risada
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sábado, 21 de abril de 2012

Esse mundo não vale o mundo (11)




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Eles nos fazem votar.
Nos fazem escolher quem vai nos roubar.
Eles roubam nossa saúde.
Eles taxam nosso salário.
Eles nos fazem perder a juventude presos dentro de um escritório cheio de regras, cheio de gente que não faria em casa o que faz no escritório.
Eles criam grupos protecionistas.
Eles fazem parecer ultrapassados os bons modos.
Eles fazem as perguntas "por que estudar?" e "por que ser honesto?" ficarem sem resposta.
Eles roubam nossos carros, nossos relógios, nosso dinheiro, nosso celular, invadem nossa casa, nos sequestram.
Eles nos dizem que a polícia não pode fazer nada.
Eles soltam o que a polícia prende.
E a polícia fuma, cheira e compra de quem deveria prender.
Eles nos prendem em casa porque não prendem quem deveria estar na cadeia.
Eles esperam que a escola dê a educação que deveria ser dada em casa.
Eles batem em quem lhes ensinou.
Eles pagam melhor quem merece menos.
Eles roubam de todos os lados - na gasolina, no mercado, na rua, na TV.
Eles nos fazem ter medo de sair de casa.
Eles nos fazem não saber se voltaremos pra casa.
Eles nos dizem pra andarmos atentos na rua, quando o certo seria podermos andar tranquilamente na rua.
Em qualquer horário.
Eles nos fazem acreditar em Copa do Mundo, em Congresso Nacional, Bolsa Esmola e que a escola pode mudar o país.
Eles banalizaram a morte.
Banalizaram a vida.
Eles nos fazem alienados.
Eles nos fazem moralistas de internet.
Eles transparecem que viver ou morrer tanto faz. A vida é supérflua. Menos gente, quanto melhor.
Eles nos fazem fazer justiça com as próprias mãos.
Eles instauram o caos no país e colocam a culpa na população.
Eles nos tratam mal e maltratam os animais.
Eles dizem que temos direitos.
Mas não conseguimos nossos direitos.
Eles jogam nossa vida fora.
E nós aceitamos tudo isso.
Porque não temos escolha.
É nascer, sobreviver e morrer.

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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Coração de palhaço




Entra rindo.
A plateia espera rir.
Faz a plateia rir.
Sai rindo.
O palhaço nunca pode ter dias ruins.
O palhaço nunca pode demonstrar que está tendo um dia ruim
A plateia espera rir.
O palhaço nunca é consolado.
O palhaço não precisa de um abraço confortante.
A plateia espera rir.
Ele tem que fazer a plateia rir.
E se tiver um dia ruim, azar.
Pinta o rosto e entra rindo.
Mesmo quando precisa ficar sozinho, errado é ele de não querer contato humano.
De querer ficar sozinho.
De precisar ficar sozinho.
Mas a plateia espera rir.
Não importa em quantos pedaços está dividida sua alma ou em quantas partes está quebrado seu coração.
Seu coração deve ser o riso.
Então entra rindo.
Faz a plateia rir.
Sai rindo.
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quinta-feira, 19 de abril de 2012

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Outra vez o picadeiro





Muito, mas muito cuidado ao lidar com corações e promessas.
Silenciar um palhaço é um dos piores crimes que existe.

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terça-feira, 17 de abril de 2012

Juizo Final




Ladainha: Cântico que é entoado na Roda de Capoeira, tradicionalmente na capoeira Angola, que, segundo a tradição, deve ser cantada por um Mestre - o mais velho e/ou mais considerado - ou, com a autorização do Mestre da Roda, por um dos capoeiristas que vão "fazer um jogo", ao "pé do Berimbau". As Ladainhas trazem em seu bojo a história da Capoeira e de seus grandes personagens, concepções de mundo, orientações a algum aprendiz etc. Segundo os "Velhos Mestres" da Bahia, enquanto a Ladainha está sendo cantada, não se realiza nenhum "jogo físico". É necessário aproveitar o momento para dedicar-se à concentração máxima, tendo em vista o correto entendimento da mensagem que nela está contida.



O dia que o lamento do negro fez o feitor chorar
Suas lágrimas caíram dos olhos
Não pude acreditar
O negro perguntava pro feitor:
Por que é que você ma bateu?
Se o sangue que corre em suas veias
É bem parecido com o meu
Será que é pela pele escura?
Não sei
Feitor queria que você
Passasse um dia lá na senzala
Com fome, com frio e com medo
Torcendo prá que a noite chegasse
Na madrugada um pensamento ruim
A porta vai se abrir
O negro é arrastado pra fora
E amarrado no tronco da dor
Mas logo o dia vai brilhar
E na enxada o negro vai trabalhar
Com seu corpo todo machucado
Será que ele vai aguentar?
Mas quando chegar o seu dia feitor
Dia do juízo final
Você vai ficar frente a frente
Com o negro do canavial
E nesse dia feitor
Sua pele clara não vai prevalecer

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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Um texto, várias ideias (3) - Final



Obrigado a quem participou! Foi uma experiência muito interessante. Vocês foram demais! Penso em repetir a dose, no futuro. Quem topa? :)
A todos que participaram, encorajo-lhes a divulgar por aí esse texto que também é de vocês.

Na ordem dos parágrafos:

Espero que gostem.



Cheguei pela primeira vez naquela praça grande. Prédios em volta, árvores diferentes e uns arbustos com umas flores que eu nunca tinha visto. O chão era todo de um paralelepípedo amarelado. Constuções do séculos XV, XVI, ou de antes até. Me senti no próprio passado enquanto admirava a fonte bem no centro jorrando água colorida pra cima, pros lados, por toda parte. As crianças se divertiam com os respingos. Casais passeavam despreocupados pela noite gelada de inverno da Europa. Com agasalhos grossos e cachecóis elegantes, grupos de homens e grupos de mulheres conversavam por toda a praça. Nem parecia um dia comum de semana. Nem parecia fim de ano. Parecia que o mundo inteiro estava de férias. Todo mundo parecia estar fazendo alguma coisa, se divertindo, se ocupando. Só eu mesmo estava ali sozinho, com minha mochila e o celular que não tocava nunca. O barulho em volta era tão interessante que por vezes até parecia silêncio. Foi um som diferente quebrando esse silêncio que me fez virar a cabeça pro lado e me assustar com o que encontrei.

Aquele homem de chapéu cinza e bengala aproximou-se. Com ar ríspido e voz alterada, dirigiu-se a mim, apontou o dedo indicador em direção ao meu rosto como se eu fizera algo de muito grave. Me questionei a princípio, mas não encontrei resposta. Foi então que notei o que de verdade havia acontecido.

Aquele homem de chápeu cinza era eu... Sim eu. Após bons anos, eu estava me vendo, estava vendo o meu futuro... mas por quê? O que eu estava apontando? E por que eu estava ali? Tão solitário... e apontando algo. Foi quando eu percebi que se tratava do meu eu futuro que eu estava plantando agora, afinal eu tinha ido ali naquela praça pra espairecer, tirar todos aqueles pensamentos que insistiam em mim... Aquelas lembranças que não me deixavam... O senhor retratava-me como 50 anos à frente, no mesmo local, e com a companhia do silêncio. Será que era esse de verdade meu destino? Ou será que isso é apenas um aviso de que o que estou fazendo com o meu presente terá suas consequências? Enfim, o que ele apontava? E Porque sua voz era tão ríspida?

E então percebi que seus olhos não focavam minha face enquanto seu dedo apontava em minha direção. Ele - eu mais velho - queria mostrar algo por trás de mim.
Sua voz ficava mais ríspida enquanto tentava gritar algo que não fazia sentido naquele momento. Vê-lo desesperado me deixou em pânico, obrigando-me a olhar pra trás.

E, vendo que eram sombras do meu passado deixado para trás, e percebendo que ao me sentar solitário em um banco da praça naquela noite fria na Europa, comecei a conversar com o meu próprio ego.

Comecei a questionar se meu futuro seria solitário, e por que em meio a tantas pessoas felizes em uma praça tão cheia de alegria eu me via sozinho esperando que meu celular tocasse, esperando por alguém para preencher esse vazio e essa solidão...

Olhando para mim mesmo, me lembrei de certos momentos que aconteceram em minha vida, momentos importantes com pessoas que julgava importantes. Comecei a entender o porquê de estar ali, mais velho, sozinho e esperando por algo, ou alguém. Isso fez com que uma pessoa me viesse à mente, uma pessoa muito especial que imaginei que estaria comigo ali um dia no futuro, naquele lugar.

Livrei-me de todos esses pensamentos e me pus a prestar atenção no que meu eu futuro me dizia. Ele estava realmente bravo comigo. Me culpava pelo desperdício de sua vida, que eu era a causa de tanto sofrimento, que eu estar ali, sentado, era o princípio de uma vida sozinho. A vida que ele levava: sozinho.
- Enquanto você fica aí, parado, lamentando você sabe o quê, a vida tá passando. E você não percebe que o tempo não volta. Pessoas te decepcionam, é verdade. Mas você não pode simplesmente ficar aqui parado assim, esperando que um dia o tempo e o mundo parem e te tragam flores. Enfeite sua alma, rapaz. Prepare-se para o melhor. Tome as rédeas de sua vida. Quando é amor, é amor em qualquer lugar do mundo. Seu telefone não toca agora, mas o que separa vocês é o tempo, e não a distância.
Ele arrancou de mim com certa violência a mochila e abriu o bolso certo - ele sabia o que estava fazendo, parecia - e tirou lá de dentro uma foto toda manchada de lágrimas. Era a foto da mulher que eu mais amava, que havia ficado pra trás. Pra trás na distância, quando me refugiei pra bem longe, e pra trás no tempo, quando me refugiei de mim mesmo.
- Você vai ficar só olhando? - ele gritou comigo, jogou a foto em mim e saiu andando. Perdeu-se por entre os outros casais agasalhados que se abrasavam pra espantar o frio.
Lágrimas geladas esquentavam meu rosto. Apertei o celular com força. Hesitei um pouco. Virei o rosto de lado involuntariamente, como fazemos quando temos vergonha de nós mesmos. Uma lágrima escorreu amarga pela garganta. Tomei coragem e disquei o número dela. Ela me atendeu com a mesma voz suave, quase formal:
- Estava esperando você ligar.
- Eu preciso te perguntar uma coisa...
- Não vou mais ficar te respondendo a mesma coisa.
- Quer ser só minha? Pra sempre?
Ouvi seu sorriso se abrindo. Ela respondeu:
- Olhe pra trás.

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domingo, 15 de abril de 2012

Sobre pessoas sem cérebro



O assunto da modinha é a liberação do aborto para fetos anencéfalos.
Antes de tudo: anencefalia: má formação / ausência parcial do cérebro. Não ausência total.
Até dias atrás eu defendia que, pra definir o que fazer com esse assunto, deveriam ser consultadas mães que passaram por isso. Mudei de ideia. A população não tem conhecimento de causa, e a morte tá ficando banalizada. É muito simples matar quem não tem consciência (será que matariam depois de o nenê nascer?).
Neste caso, falta ao homem um conhecimento maior sobre o cérebro. É essa limitação do conhecimento que mostra que não é a hora de debater isso.
Algum tempo atrás, escrevi sobre a senoidade humana (os valores alternam-se).
Lembra quando os romanos matavam os nenês que nasciam malformados? É que eles não tinham ultrassom, senão matariam antes. Queriam só os melhores vivos.
"Ai, que absurdo!"
Pois é. O que tá acontecendo hoje? A mesma coisa. Com a banalização da morte, pretende-se limpar, gradativamente, a humanidade desses "males".
Porque investir em tratamento e hospitais, além de mais difícil é mais caro.
Num país em que a ordem é corrupção, imagina quantos casos de "anencefalia" seriam registrados porque a mãe queria um aborto?
Acontece que faltar pedaço do cérebro é bem menos pior do que gente que tem o cérebro inteiro e não pensa.
Estas sim não precisariam existir.

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sábado, 14 de abril de 2012

Os valores estão mudando



As pessoas sempre têm desculpas muito boas pra explicarem por que não fizeram alguma coisa. Pedir desculpas e assumir o erro nunca é opção.

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Um texto, várias ideias (2)



Então vamos lá.
Pela ordem de chegada:
eu faço a primeira parte;
mamãe faz a segunda;
Maitê a terceira;
Thaís a quarta;
Jéssica a quinta;
Monique a sexta;
Flávia a sétima;
E a última eu faço.

Vou começar nesse mesmo post fazendo a primeira parte. Deixem nos comentários suas continuações, na ordem que eu pus acima. Não esqueçam de deixar ganchos nos seus textos para o próximo a escrever pegar para poder ter continuidade.
Não tem tamanho mínimo, máximo, nem jeito de escrever. Não tem regras. Escreva do jeito que você sabe ou do jeito que você quiser. A única regra é que o texto total tem que fazer sentido (assim, sua continuação realmente deve ser uma continuação do anterior, acrescentar novos elementos, acontecimentos, informações e deixar ganchos para o próximo a escrever).

Cheguei pela primeira vez naquela praça grande. Prédios em volta, árvores diferentes e uns arbustos com umas flores que eu nunca tinha visto. O chão era todo de um paralelepípedo amarelado. Constuções do séculos XV, XVI, ou de antes até. Me senti no próprio passado enquanto admirava a fonte bem no centro jorrando água colorida pra cima, pros lados, por toda parte. As crianças se divertiam com os respingos. Casais passeavam despreocupados pela noite gelada de inverno da Europa. Com agasalhos grossos e cachecóis elegantes, grupos de homens e grupos de mulheres conversavam por toda a praça. Nem parecia um dia comum de semana. Nem parecia fim de ano. Parecia que o mundo inteiro estava de férias. Todo mundo parecia estar fazendo alguma coisa, se divertindo, se ocupando. Só eu mesmo estava ali sozinho, com minha mochila e o celular que não tocava nunca. O barulho em volta era tão interessante que por vezes até parecia silêncio. Foi um som diferente quebrando esse silêncio que me fez virar a cabeça pro lado e me assustar com o que encontrei.

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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Amo todo dia



Hoje é o dia em que comemoramos o nascimento de uma pessoa especial demais pra mim.
Alguém que sempre apoiou minhas decisões e meus sonhos, e que sempre esteve aí pra mim, mesmo quando o mundo inteiro me deu as costas.
Que me esperou mesmo à distância, e que me amou em qualquer situação e em qualquer tempo.
Obrigado por existir. Minha vida não teria sido a mesma.
E meus sinceros parabéns. Porque uma pessoa com qualidades tão raras hoje em dia, qualidades que eu admiro e busco em uma mulher, merece, sim, todos os parabéns que eu puder dar.
Ela é a definição de que, quando é amor, é amor em qualquer lugar do mundo.

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Um texto, várias ideias



Uma ideia que tive:

Não sei quantos são os leitores desse blog, por isso não sei se conseguirei pôr em prática minha ideia.

Gostaria de convidar a todos os leitores (mesmo que seja a primeira vez que você venha aqui) pra fazermos um post em conjunto.
Não importa seu estilo literário, seu jeito de escrever, se conhece palavras bonitas, sua idade, se você tem um blog, ou site, nada disso.
A ideia é fazer um texto que tenha uma lógica, o que significa que tem que ser coerente, ter começo, meio e fim. Não precisa necessariamente contar uma história, apenas precisa ter sentido. Cada um escreve um pedaço e o seguinte dá continuidade ao que o anterior escreveu, a começar por mim.
O grupo de "escritores" será formado por todos aqueles que se candidatarem a escrever (coloca aí nos comentários que você quer participar).
Será que até sexta, 13, consigo um número razoável de gente?

Interessados se manifestem e as próximas instruções eu passo na sexta, se conseguirmos juntar um número considerável de pessoas (ou seja, tem que ser mais de 4 pelo menos, tá bom, né?).

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terça-feira, 10 de abril de 2012

Ou me assume de uma vez ou vá embora



E se você fizer uma promessa, CUMPRA!!
Para de ficar falando "eu posso melhorar", "eu posso fazer por você" e FAÇA!!
É muito falatório e pouca atitude!
Como você quer que eu acredite em palavras que NUNCA se transformam - e nunca se transformaram - em atitudes?

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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Dias frios (3)



O inverno sempre traz uma sensação boa e um clima de romantismo.
Ou costumava trazer.
Esse ano traz uma incerteza sobre o caminho que estou seguindo.
E de amor mesmo, pouco tem.

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domingo, 8 de abril de 2012

Se quiser ir, vá



Cansei de esperar promessas que nunca são cumpridas.
Abandonei mesmo.
Desisti mesmo.
Cansei de só ouvir, só criar esperanças de coisas que nunca são feitas.
Cansei de palavras, quero atitudes.
Cansei de não ser querido, não ser lembrado, não ser respeitado.
Pior ainda: por quem diz me amar, me lembrar e me respeitar.
Então demonstre! Então faça!
Se estou indo embora, o errado não sou eu.
É você - e só você.
Então ou cumpra sua palavra ou não precisa ficar mesmo.
Pare de falar, por favor, e comece a agir. Senão, vá embora. É melhor.

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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Aqui



Se eu deveria me importar? Acho que não...
Tô cansado de correr, correr, correr e nunca chegar.
Combinemos assim, então: eu vou parar de correr.
Agora.
Se quiser me esperar, muito bem.
Se quiser deixar eu te alcançar, ótimo.
Se quiser olhar pra trás e voltar pra me buscar e andarmos juntos, eu vou.
Senão, continuarei aqui.
Parado.
E talvez até tome outro caminho.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Ele nunca morreu





Feriado, não.
É a ressurreição.
Respeitem.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Meus direitos, meus direitos



Ontem participei de uma aula de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e educação de surdos.
Uma instrutora (não me lembro o nome, mas muito boa, por sinal), disse o seguinte: muitos pais de filhos surdos não aceitam a surdez. Ao saberem que o herdeiro é surdo, procuram médico, padre, curandeiro em vez de ensinar-lhe LIBRAS para que possam aprender o português depois, além de poderem conviver com outros surdos naturalmente.
Ela criticava essa postura, essa cultura de busca pelo filho perfeito, sem defeitos, e que eles deveriam também aprender a linguagem de sinais para poderem se comunicar em casa.

Olha, as universidades públicas são um chamariz para ensino, cultura, pesquisa e extensão. Mas tem hora que não dá. TUDO pra eles é preconceito. TUDO. Não se pode mais achar algo certo ou errado, não posso ter opção. Eu tenho que respeitar o modo de viver do próximo, mas o próximo não pode respeitar minha opinião, minha criação.
Essa instrutora, apesar de conhecer bem os sinais, aparentemente não é mãe. Se fosse, saberia que os pais buscam a perfeição dos filhos tenha o preço que tiver. Se eles querem que os filhos surdos venham a ouvir, não é por não aceitarema surdez, mas por amá-los e querê-los ouvindo. Igual a qualquer outra pessoa "normal" (entre aspas, porque é um conceito muito vago).
Gostam tanto de falar de "direitos", "direitos", onde está o "direito de ouvir" agora?

Mas é muito mais fácil falar em "preconceito" quando se está na posição de vítima, né? Quando se está na posição do acusador não há preconceito.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Livro 1 : em qualquer lugar do mundo




Terminei.
Desde 2005 com a ideia na cabeça.
Tive que mudar a história, claro.
Mas ficou melhor assim.
Essa aí é a capa.
Quando publicá-lo, avisarei.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Entre você e o mar



Já não tenho medo de você. Entendi que a minha vida inteira, sempre foi você. Sobrevivo do que sobrou de nós dois e ainda está aqui, que vou consumindo enquanto a vida passa. Já não posso mais me dividir entre você e o mar. Já não posso mais continuar doente por te esperar.
Eu, que um dia te amei, nessa sua estranha condição. Só. E o instinto de quem sabe amar. Só, mas sempre com você. Não posso mais permitir este mar entre mim e você. Não posso mais ficar aqui parado esperando a sua volta.
Não, meu amor, não estou mais aqui. Ou venha ou fique aí. Nem vivo mais. Nem sonho mais. Tenho muito medo. Me ajuda?
Não, meu amor, não acredito mais em você. Cada volta sua é também uma partida. E sempre me promete que é a última. Prefiro dizer-te adeus.
Busco à noite em cada estrela teu reflexo. Mas a mim não é suficiente, e então eu mudo.
Não posso mais aceitar essas promessas vazias entre mim e você.

domingo, 1 de abril de 2012

Dia da mentira



Também conhecido como:
"Eu te amo"
"Eu vou mudar, prometo"
"É pra sempre"
"Não foi por maldade"
e por aí vai...