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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Um texto, várias ideias (3) - Final



Obrigado a quem participou! Foi uma experiência muito interessante. Vocês foram demais! Penso em repetir a dose, no futuro. Quem topa? :)
A todos que participaram, encorajo-lhes a divulgar por aí esse texto que também é de vocês.

Na ordem dos parágrafos:

Espero que gostem.



Cheguei pela primeira vez naquela praça grande. Prédios em volta, árvores diferentes e uns arbustos com umas flores que eu nunca tinha visto. O chão era todo de um paralelepípedo amarelado. Constuções do séculos XV, XVI, ou de antes até. Me senti no próprio passado enquanto admirava a fonte bem no centro jorrando água colorida pra cima, pros lados, por toda parte. As crianças se divertiam com os respingos. Casais passeavam despreocupados pela noite gelada de inverno da Europa. Com agasalhos grossos e cachecóis elegantes, grupos de homens e grupos de mulheres conversavam por toda a praça. Nem parecia um dia comum de semana. Nem parecia fim de ano. Parecia que o mundo inteiro estava de férias. Todo mundo parecia estar fazendo alguma coisa, se divertindo, se ocupando. Só eu mesmo estava ali sozinho, com minha mochila e o celular que não tocava nunca. O barulho em volta era tão interessante que por vezes até parecia silêncio. Foi um som diferente quebrando esse silêncio que me fez virar a cabeça pro lado e me assustar com o que encontrei.

Aquele homem de chapéu cinza e bengala aproximou-se. Com ar ríspido e voz alterada, dirigiu-se a mim, apontou o dedo indicador em direção ao meu rosto como se eu fizera algo de muito grave. Me questionei a princípio, mas não encontrei resposta. Foi então que notei o que de verdade havia acontecido.

Aquele homem de chápeu cinza era eu... Sim eu. Após bons anos, eu estava me vendo, estava vendo o meu futuro... mas por quê? O que eu estava apontando? E por que eu estava ali? Tão solitário... e apontando algo. Foi quando eu percebi que se tratava do meu eu futuro que eu estava plantando agora, afinal eu tinha ido ali naquela praça pra espairecer, tirar todos aqueles pensamentos que insistiam em mim... Aquelas lembranças que não me deixavam... O senhor retratava-me como 50 anos à frente, no mesmo local, e com a companhia do silêncio. Será que era esse de verdade meu destino? Ou será que isso é apenas um aviso de que o que estou fazendo com o meu presente terá suas consequências? Enfim, o que ele apontava? E Porque sua voz era tão ríspida?

E então percebi que seus olhos não focavam minha face enquanto seu dedo apontava em minha direção. Ele - eu mais velho - queria mostrar algo por trás de mim.
Sua voz ficava mais ríspida enquanto tentava gritar algo que não fazia sentido naquele momento. Vê-lo desesperado me deixou em pânico, obrigando-me a olhar pra trás.

E, vendo que eram sombras do meu passado deixado para trás, e percebendo que ao me sentar solitário em um banco da praça naquela noite fria na Europa, comecei a conversar com o meu próprio ego.

Comecei a questionar se meu futuro seria solitário, e por que em meio a tantas pessoas felizes em uma praça tão cheia de alegria eu me via sozinho esperando que meu celular tocasse, esperando por alguém para preencher esse vazio e essa solidão...

Olhando para mim mesmo, me lembrei de certos momentos que aconteceram em minha vida, momentos importantes com pessoas que julgava importantes. Comecei a entender o porquê de estar ali, mais velho, sozinho e esperando por algo, ou alguém. Isso fez com que uma pessoa me viesse à mente, uma pessoa muito especial que imaginei que estaria comigo ali um dia no futuro, naquele lugar.

Livrei-me de todos esses pensamentos e me pus a prestar atenção no que meu eu futuro me dizia. Ele estava realmente bravo comigo. Me culpava pelo desperdício de sua vida, que eu era a causa de tanto sofrimento, que eu estar ali, sentado, era o princípio de uma vida sozinho. A vida que ele levava: sozinho.
- Enquanto você fica aí, parado, lamentando você sabe o quê, a vida tá passando. E você não percebe que o tempo não volta. Pessoas te decepcionam, é verdade. Mas você não pode simplesmente ficar aqui parado assim, esperando que um dia o tempo e o mundo parem e te tragam flores. Enfeite sua alma, rapaz. Prepare-se para o melhor. Tome as rédeas de sua vida. Quando é amor, é amor em qualquer lugar do mundo. Seu telefone não toca agora, mas o que separa vocês é o tempo, e não a distância.
Ele arrancou de mim com certa violência a mochila e abriu o bolso certo - ele sabia o que estava fazendo, parecia - e tirou lá de dentro uma foto toda manchada de lágrimas. Era a foto da mulher que eu mais amava, que havia ficado pra trás. Pra trás na distância, quando me refugiei pra bem longe, e pra trás no tempo, quando me refugiei de mim mesmo.
- Você vai ficar só olhando? - ele gritou comigo, jogou a foto em mim e saiu andando. Perdeu-se por entre os outros casais agasalhados que se abrasavam pra espantar o frio.
Lágrimas geladas esquentavam meu rosto. Apertei o celular com força. Hesitei um pouco. Virei o rosto de lado involuntariamente, como fazemos quando temos vergonha de nós mesmos. Uma lágrima escorreu amarga pela garganta. Tomei coragem e disquei o número dela. Ela me atendeu com a mesma voz suave, quase formal:
- Estava esperando você ligar.
- Eu preciso te perguntar uma coisa...
- Não vou mais ficar te respondendo a mesma coisa.
- Quer ser só minha? Pra sempre?
Ouvi seu sorriso se abrindo. Ela respondeu:
- Olhe pra trás.

primeiro livro
http://bit.ly/eqlmundo

6 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom. Gostei pq em todos os pedaços o texto tomou um rumo inesperado e o final foi surpreendente. Excelente!
besos
Mamá

Jéssica disse...

muito bom !

Thais Katsumi disse...

muito bom!

Anônimo disse...

Que orgulho ter participado desse texto lindo... ameeeei mto Boom!!!

bjbj
Monique (fã)

Flávia disse...

Ameii! Parabéns pra nós! :D

Flávia disse...

Obrigada pela oportunidade.. :)
Na próxima estamos aii!

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Sempre, e em todo lugar, palavras são proferidas, rearranjadas de tal forma que tornam único cada momento. Estas eu agrupei para que você fuja da realidade por uns instantes.