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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Pelo fim da pena de morte no Brasil



Os gays não podem frequentar a Paulista porque podem morrer.
Famílias não podem ir a estádio de futebol porque podem morrer.
Ninguém pode entrar em algumas comunidades porque podem morrer.
Aparentemente, quem pode morrer tem seus limites limitados. E quem pode matar, ainda tem livre acesso.
Tanto é o livre acesso que quem mata continua solto por aí. E quem deveria prendê-los, não cumpre com o papel. Apesar de receber dinheiro de seu patrão pra isso - nós mesmos.
Somos nós também quem financiamos os salários dos políticos, que são servidores que nós mesmos contratamos.
Isso é regra em qualquer lugar do mundo. Até na Europa.
Lá as coisas funcionam um pouco diferente daqui. Porque lá funcionam.
Lá eles têm a leishmaniose igual nós.
Mas lá eles são amparados pela lei para cuidar dos animais infectados. E existem políticas de prevenção e erradicação da doença.
Diferente do que acontece aqui.
O que se tem visto atualmente é um "surto" da doença.
A lei impede que os animais sejam tratados.
Quem tem dinheiro e influência consegue o tratamento clandestinamente.
Quem não tem, tem que entregar seus animaizinhos para serem sacrificados.
É o que está acontecendo em Votuporanga.
Apenas no meu quarteirão já foram mortos 3 animais. E outros 3 estão "em risco".
"Surto" está entre aspas porque o diagnóstico é duvidoso. Parece que só os bairros mais pobres sofrem com esse mau. Estranho, não?
E "em risco" também está entre aspas porque quiseram levar dois cachorros de uma casa em que há um terceiro contaminado "apenas por precaução".
Ou seja, vocês conseguem ver a preocupação dos governantes com seus moradores.
É BEM mais fácil levar os animais e passar a faca, né?
É, é sim. E mais barato também né?
É. E se fosse a SUA MÃE infectada? E se fosse a sua filhinha chorando porque o filhotinho dela foi entregue para agentes de saúde matarem-no? Hein?? Me responde!!
Por que você não pulveriza a região e impede a proliferação do mosquito??
Sabe por quê? Porque você é ASSASSINO!
Você é dessa raça que é conivente com as mortes. Você é desses que gosta de deixar bandido solto porque tem medo deles. Você é covarde! Você só cresce em cima de quem tem não instrução, mas fala fino pra quem manda em você. E mais: você é desses que contrata assassinos, corruptos, que aceitam suborno pra não levar os animais, pra acobertar casos dos ricos, e propina pra fazer propaganda dos laboratórios que patrocinam seu crime!
Eu tenho nojo de você!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O errado sou eu



De exigir que você mostre interesse. Porque sou eu que estou acostumado com as pessoas que dizem gostar de mim se interessarem pelas minhas coisas. Preciso me acostumar ao seu desinteresse.
Não exijo que goste. Eu quero saber pelo menos o que você acha. Não ligo se você não gosta, não ligo que ninguém goste. O que me incomoda é ninguém dar um retorno. Me incomoda muito mais quando as pessoas que deveriam me dar retorno, que são as que dizem gostar de mim, não dão.
Eu vejo as mulheres falando de seus maridos, de seus namorados, e fico triste. Porque eu não vejo isso acontecendo comigo. Vejo-as fazendo planos, empolgadas com eles, e fico triste porque minha vida é sempre a mesma rotina. Não adianta fazer planos, ter ideias, porque ninguém vai se interessar por elas. E quando falo "a gente sempre faz isso, vamos pensar em outra coisa" tenho que ouvir que sou eu que não gosto de nada, que não aceito nenhuma ideia.
Mas errado sou eu de exigir interesse. Porque onde já se viu sair da rotina, experimentar coisas novas?
Eu vejo crianças abraçando a mãe, fazendo declarações. Eu vejo namorados e namoradas fazendo coisinhas diferentes no dia-a-dia. Mandam um "te amo" do nada, mandam um desenhinho, um email carinhoso. Eu fico triste, porque eu não tenho isso. E nem posso exigir. Porque errado sou eu de esperar isso de quem gosta de mim. Porque onde já se viu sair da rotina, criar coisas novas?
Isso me tornou desinteressado. Tanto desinteresse por tanto tempo, no nosso passado e no nosso dia-a-dia me tornou desinteressado. E hoje, quando sou eu que não me interesso, quando não dou as ideias, quando não crio, quando não surpreendo, eu que sou o errado. Quem me tornou desinteressado não é errado. Sou eu. Só eu.
Mas essas palavras aqui são só pra mim, pra mais ninguém. Porque falar isso torna o desinteressado a vítima.
"Como?", você pergunta.
Eu respondo: "também não sei. Sei que é assim".
Não importa que isso tudo me entristeça, que eu desanime cada vez mais de mim mesmo quando não posso criar, quando não posso me animar, porque sei que o desinteresse vai barrar tudo o que eu fizer. Nada disso importa.
Nessa brincadeira, eu continuo sem saber o que falar quando as pessoas vêm me perguntar:
"O que está acontecendo com você? Você costumava sorrir mais, você era mais alegre".
Fico quieto. Ninguém precisa saber.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Você também sempre quis saber que eu sei




Muppet Babies - Letra da música tema

Muppet babies
We make our dreams come true
Muppet babies
We'll do the same for you
When your room looks kind of weird
And you wish that you weren't there
Just close your eyes and make-believe
And you can be anywhere
I like adventure
I like romance
I love great jokes
Animal dance!
I´ve got my computer
I swing through the air
I play the piano
And I have blue hair - ha!
Me I invent things
Meep meep meep meeeeeep
Is everything all right in here?
Yes, nanny.
Muppet babies
We make our dreams come true
Muppet babies
We'll do the same for you
Muppet muppet muppet muppet
Babies babies babies
Make dreams come true

Prólogo [Como é, como era, como deveria ser]



Depois de passada toda a tormenta, depois de ultrapassar os portões dourados mais de duas vezes, depois de superar tudo o que ainda existia de você em mim, foi que eu percebi que tinha te perdido.
Tudo ao meu redor se pareciam nuvens. Tinha aquele aspecto de sonho. Não sei definir se minha vida tinha terminado sem eu perceber ou se era mesmo tudo devaneio. Sei que eu estava em paz. Se estivesse dormindo, pelo menos não era pesadelo. Não, não era. Era bem melhor que a realidade. Na vida real você não existia. E, querendo ou não, isso ainda pesava demais pra mim.
E eu achando que o que tínhamos, e tudo o que eu sentia, minhas dores, minha saudade, minhas lembranças, tinham ficado pra trás, naquele mundo pra onde eu nunca mais voltaria.
Um maluco me apareceu e me deu uma ideia maluca.
Ele me garantia que poderíamos voltar a nos encontrar. Mas que nada do que já tinha acontecido poderia ser mudado. Eu poderia até tentar, mas não iria conseguir. Era impossível. O possível era apenas promover o nosso reencontro. Mas que isso poderia ser muito, mas muito perigoso.
As coisas do passado são feitas para ficarem no passado. As pessoas enlouquecem querendo saber como teria sido, enlouquecem porque perderam alguém, porque o tempo passou, porque eram mais felizes.
Mas essa loucura pode ser tornar muito pior, quando elas perceberem que estão totalmente impotentes diante do passado. Que por mais que imaginem que estão diante da realidade novamente, tudo não passa de um sonho. Um sonho às vezes bom. Vivê-lo pode ser bom. Acordar dele é que é o problema. E aí é preciso estar preparado pra aprender que viver o presente é a melhor forma de destruir o passado e construir um futuro.
E talvez a única.
E a maioria das pessoas não está preparada pra isso.
O maluco me disse tudo isso, me deu todos esses conselhos e avisos.
Pensei em você. Pensei em mim. Pensei na gente.
Pensei em tudo o que tinha acontecido. Em tudo o que eu tinha sofrido e no quanto vinha sofrendo.
Talvez fosse uma chance de fazer dar certo, de descobrir como teria sido. Talvez esse maluco estivesse errado. Eu poderia te reencontrar, quem sabe até num futuro, quem sabe agora, depois daquelas nossas conversas, e você também pensasse que seria a hora de voltar. Que nós dois erramos em concordar com a separação e o distanciamento. Talvez até possamos pular essa parte e ir direto para o ponto em que somos felizes e fim.
Talvez o fim da história não seja bem esse. Se tenho essa oportunidade de te ver de novo, de podermos conversar sem medo do tempo passar, sem medo do que possa ocorrer, já que o pior que poderia acontecer já aconteceu mesmo, talvez possamos viver novamente pra gente, como sempre foi.
Por ter aceitado que meu destino era esse mesmo, nunca mais pensei em como ou onde poderíamos nos encontrar.
Talvez eu até te encontrasse aqui. Talvez só em outra vida, em outro planeta ou em outra dimensão.
Ou talvez só em minha própria vida.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Vícios e manias



Gosto dos números pares: 2 e 6 principalmente, e a combinação deles é um número perfeito pra mim. Tanto que ter esta idade tem feito este meu ano um dos melhores anos.
Mas estou jogando o campeonato com o número 5. Paciência, não se pode ganhar todas.
A placa do meu carro também não é a ideal. Eu preferia outras letras, outros números. Mas não o troco.
E nos vidros tem que ter insulfilm. Escuro. E todas as luzes e o neon azuis.
Tenho meus TOCs: gosto de ângulos retos (porque se não for um ângulo reto é um ângulo torto), gosto de simetria. Mas já melhorei. Não organizo mais minhas camisas por cores nem tenho essa obsessão de bater o tornozelo ou o cotovelo direito com a mesma força e na mesma posição se bater o esquerdo em algum lugar.
Mas muitas coisas ainda têm seu lugar, e se mudar sabe-se lá o que pode acontecer.
Por exemplo, primeiro eu coloco o ketchup e depois a maionese, nunca em ordem diferente disso. E tenho que terminar a refeição tomando um líquido, nunca o líquido antes da comida. E também só coloco os molhos no lanche depois que fiz a primeira fileira de mordidas, nunca direto no pão. O lanche deve ser comido em fileiras de mordidas simétricas. Nada de fazer buracos. Sempre de uma beirada para o meio.
Também estão proibidos espaços em brancos no final da linha.
Capitalização nem pensar.
Minhas músicas e seriados estão organizados no computador em pastas perfeitamente definidas: Vídeos - Seriados - Nome do seriado - Número da temporada - Episódios formatados em dois dígitos para número do episódio dentro da temporada, espaço, hífen, espaço, nome do episódio sem capitalização, apenas a inicial em maiúscula.
As músicas são Músicas - Álbuns completos - Nome do cantor (ano do álbum) nome do álbum [(parâmetro adicional: se é acústico, ao vivo, em que cidade é, se é áudio do DVD, etc)]. Todas as músicas são Nome do cantor, espaço, hífen, espaço, dois dígitos para número da trilha, espaço, hífen, espaço, nome da música sem capitalização, apenas a inicial em maiúscula. Sem aqueles detalhes internos da faixa, ID1 e ID2.
Sou ciumento com minhas coisas, não empresto mesmo. Me dá aflição lentes da câmera e dos óculos e telas do celular e do relógio sujas, com marcas de dedo, molhadas, embaçadas e coisas assim. Têm que estar perfeitamente limpas.
Carrego álcool em gel, sempre limpo as mãos.
Sou perfeccionista daqueles chatos. O que é certo é certo e tem que fazer do jeito certo. Que normalmente é do meu jeito. Meu jeito nem sempre é o jeito certo, nem o errado, só o melhor.
Tenho a ordem certa de fazer os aparelos na academia. De tomar banho.
Sistemático, pode falar.
Não acredito em astrologia, só quando dá certo.
Acredito mais ou menos na teoria da evolução. Desconfio da NASA, dos médicos, dos políticos, dos psicólogos e dos políticos.
Sou rancoroso e tenho boa memória. Pelo menos costumava ter.
E vingativo.
"Mas você prefere ser feliz ou ter razão?"
Eu sou feliz quando tenho razão.
Pavio curto.
Detesto computadores e essa coisa toda de tecnologia. Não tenho saco pra acompanhar as novidades e programar.
Sou péssimo em programação. Passei a faculdade inteira de Ciência da Computação sem aprender a programar. Não tenho saco prá televisão e acho que as pessoas em geral estão acomodadas demais. Qualquer coisa lhes serve e estão felizes com o pouco.
Não vejo futuro no país, nas crianças, nos jovens.
Desisti de ter filho.
Acho que a maior prova de amor que posso dar a ele é impedindo que ele nasça.
Ainda quero publicar livros - dois estão sendo escritos - mas não quero que grandes editoras tenham todo o lucro que seria meu. Prefiro mandar imprimi-los em uma gráfica pequena e vendê-los a preços que os compradores julguem justos.
Não sou teimoso: teimoso é quem teima comigo.
Mas, porém, entretanto, contudo, todavia, quem deveria se incomodar com tudo isso sou eu. E não me incomodo. Até gosto de ser assim.
Me incomodo é com quem se incomoda com isso.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Top 10 músicas do dia do meu nascimento



(cópia descarada da ideia do Alan)

* Vai no site da Billboard na parte dos hot100 (link aqui) e clique em "View Chart Archives" que tá no meio da tela, vei, se você não ver aposenta da vida.
* No calendário, procure o dia que você nasceu.
* Veja de quanta merda a gente já se livrou...

Meu caso:

1º Like a virgin - Madonna (por mim pararia aqui, já comecei em alto nível!! - sem ironia)
2º The wild boys - Duran Duran
3º Sea of love - The Honeydrippers
4º Cool it now - New Edition
5º We belong - Pat Benatar
6º All I need - Jack Wagner
7º Out of touch - Daryl Hall John Oates
8º Run to you - Bryan Adams (10 pontos para Grifinória)
9º You're the insipiration - Chicago
10º Valotte - Julian Lennon

sábado, 12 de novembro de 2011

Maturidade




Chega um momento em sua vida em que você sabe quem é importante para você, quem nunca foi, quem não é mais, quem nunca mais será e quem o será para sempre.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

JP2



[ excerto do livro Como é, como era, como deveria ser ]

As pessoas ao meu lado, todas sentadas no chão, alinhadas, encostadas na parede, formavam no lugar aquele barulho característico de multidão dentro de um galpão. Vozes desencontradas preenchiam todo o lugar. Porém ninguém mexia a boca. Todos estavam sérios, em silêncio.
Parecia que todo mundo sabia por que todo mundo estava ali. Todo mundo estava sofrendo por alguma coisa. Mas ninguém falava nada. Embora as vozes continuassem.
Neste momento um senhorzinho de roupa toda branca, e um escapulário dourado pendurado no pescoço, com uma cruz na ponta, também dourada, usando um quipé também branco, apareceu. O branco de suas vestimentas era impecável. Transmitia paz e muita serenidade. O rosto era jovial e transparecia alegria. Parecia que sua aura escapava pelos seus poros e acalentava as pessoas ao seu redor.
Estranhamente eu sabia quem era, mas não sabia. Sabia que se tratava de alguém famoso e muito conhecido e muito querido. Apesar disso, não houve rebuliço.
Quando passou perto de mim, nem dei bola. Sabia que ele nunca olharia pra mim.
Mas ele me olhou.
Quando ele apontou lá no começo da fila, parecia que ele sabia quem precisava dele. Parecia que ele tinha ido ali somente para confortar a mim. Porque ele parou bem em frente a mim. Pediu-me para que me levantasse.
Eu me levantei.
Ele me abraçou e eu chorei como nunca tinha chorado na minha vida inteira em seu ombro. As lágrimas jorravam de meus olhos e eu soluçava.
Sua mão passava pela minha cabeça como que querendo dizer "calma, tá tudo bem agora".
Mas não estava.
E nem ficaria.
Eu estava sofrendo. Um sofrimento causado por outra pessoa. A pessoa que eu mais tinha amado na minha vida. A pessoa por quem eu daria minha própria vida. E de certa forma tinha mesmo dado minha própria vida.
E ela não tinha ideia disso. Ela não fazia ideia do que eu tinha passado para reencontrá-la. Para pelo menos voltar a vê-la. Para falar-lhe olhando nos olhos tudo o que eu sentia, tudo por que eu tinha passado nesses anos, nessas vidas. Ela talvez esteja bem agora, bem longe de mim. Mas eu não. Eu ainda respiro aquela mulher.
Ela foi tudo pra mim. Ela foi o motivo do meu sorriso. Era a ela que eu me referia quando aquele anjo me fez aquela pergunta quando cheguei no céu.
Minha vida estava uma droga. Aliás, minha vida tinha sido uma droga. E tinha sido o paraíso também. E esses dois extremos foram causados pela mesma pessoa. A mesma pessoa que me deu meu primeiro suspiro de vida foi também a responsável pelo meu último suspiro de vida.
E desde aquele dia, último dia, fatídico dia, eu vivo essa meia-vida, eu sobrevivo do que eu era, sobrevivo nesse submundo de memórias e lástimas, recordações e remorsos, por ter perdido a mulher que eu tanto amei. Por ter descoberto tarde demais que aquela mulher não tinha sido só o amor da minha vida, a mulher da minha vida. Ela tinha sido o anjo da minha vida. Que foi embora! E eu não a mandei embora. Ela foi embora pra me abandonar, pra me fazer mal.
Então nada estava bem, e nem haveria de ficar. Porque eu só estava onde estava porque não aguentava mais viver num mundo onde ela não existia. Onde não existia nós dois.
Por isso fugi. Por isso larguei tudo e me arrisquei a vir parar aqui. Seja lá o que for aqui.
Mas naquele momento, por um momento, tudo esteve bem.
E eu senti que poderia ficar.
Eu senti a paz que aquele senhor tinha vindo me dar.
Minhas lágrimas saíam de mim como se fossem fantasmas deixando meu corpo.
Elas doíam, doíam demais.
Aquele abraço infinito me fazia chorar, mas me fazia bem.
Parecia que ele era o responsável por afugentar esses espectros.
O choro foi sumindo aos poucos. Os soluços foram diminuindo.
Eu me afastei um pouco de seu ombro.
O abraço terminou.
Mas permaneci em sua frente.
E ele permaneceu à minha frente.
Não foi embora. Não me abandonou.
Ao seu lado havia um senhor de batina preta e quipá roxo.
Mas ele não se pronunciou. Apenas olhava pra mim e sorria.
Ele não ria de mim. Ele sorria.
Parecia dizer "você está melhor?"
Olhei para o senhor de roupa e aura brancas que transmitia paz já na sua chegada.
Com o mesmo olhar jovial com que o vi pela primeira vez na infância, o papa João Paulo II me olhava como se fôssemos velhos amigos, amigos íntimos.
Ele me falou: "você precisa de um abraço né?"
Voltei a abraçá-lo. Ele voltou a me abraçar.
Dessa vez não chorei.
Mas senti mais tranquilidade.
E senti que as coisas poderiam ficar bem.
Eu queria que ficassem bem.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Terra nova



[ excerto do livro Como é, como era, como deveria ser ]

Eu não sei onde nem quando aconteceu. Sei que eu estava num lugar bem grande, com muitas árvores, muitas pessoas que eu nunca tinha visto na vida. Tinha uns caminhos de pedregulho, muita sombra e um muro de pedra preta ao lado. Ele delimitava uma grande porção de terra, bem grande mesmo. Parecia um morro. Dele saíam algumas árvores grandes de copa espessa. Faziam sombra no caminho.
Lá na frente, ao longe, havia uma grade preta, dessas mais antigas, que não se veem mais. Toda trabalhada. Sua função era enfeitar, não proteger. Não havia do que se proteger. Não havia maldade.
O lugar todo aparentava esses casarões antigos que passam nos filmes de época. O jardim era enorme, e a casa grande já havia ficado bem pra trás de mim.
Quando este muro de grandes pedras pretas fazia a curva, um arbusto de folhas finas, flores vermelhas de pétalas finas e espinhos impedia a visão do que existia além da curva.
Eu andava calmamente. Não entendi onde eu estava, nem o que eram todas aquelas pessoas.
Eu via abraços como se fossem reencontros, como se fossem despedidas. Não pude distinguir.
Um reencontro é exatamente igual a uma despedida: envolvem uma volta e uma ida. Pessoas chegam e pessoas se vão. Apenas o sentimento é diferente. A volta nos faz sentir um alívio, um conforto, um aconchego. E a despedida é o oposto disso. As pessoas se abraçavam, sorriam, choravam. Quem de nós nunca riu até chorar ou chorou até rir? É que as emoções são muito parecidas. Por isso que algumas pessoas riem quando estão ansiosas e algumas choram de felicidade.
Quando finalmente fiz a curva, encontrei uma mulher. E uma criança. Pareciam conhecidas. Mas quem eram?
A mulher chorava, e não me viu de começo.
A menina me viu. Me reconheceu. Abriu um sorriso tímido. Mas não falou nada. Continuou tentando confortar a mulher. Mulher esta que eu não sabia se era sua mãe, tia, irmã, ou sequer sua conhecida.
Poderia ser. Mas com tanta paz naquele lugar, tantos abraços, talvez aquilo fosse um lugar para onde corações sofridos se refugiassem em busca de consolo. E lá encontravam consolo. Até de desconhecidos.
Essa mulher me olhou. Sorriu. Me disse "oi". Eu respondi. Mas foi só. Ela voltou a abaixar a cabeça e suas lágrimas continuaram a cair.
Aí que eu me lembrei: era minha professora de português da 5ª série. E sua sobrinha, minha amiga.
Mas ela estava mais jovem. Parecia ter saído direto dos anos 1970, 1980.
Neste momento chegou uma mensagem sua no meu celular: "onde você está?".
Por um momento não sabia responder.
Pensei um pouco, e escrevi.
"Estou no passado".

sábado, 5 de novembro de 2011

Você me lê?



Vivo escrevendo porque estou sozinho. Porque escrever é um ato solitário.
Comecei a escrever por estar sozinho. Por ser sozinho.
E toda vez que escrevo, sempr espero que alguém leia. E pelo menos me diga que tudo o que eu escrevo é tudo uma porcaria.
Pelo menos saberia que tem alguém lendo.
Pelo menos sentiria que não estou falando sozinho
Que não estou sozinho.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

As músicas



Poucas pessoas sabem quando digo-lhes pra ouvir uma música, estou falando pra elas prestarem atenção na letra.
Sou eu falando coisas que queria dizer mas não consegui me expressar.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Se...



Às vezes me pergunto como teria sido se não tivesse acabado.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Gente como eu



Gente como eu não desapega. Não adianta.
Gente como eu tem saudade demais, gosta demais, ama demais.
Se sou errado sendo assim, que mal há? O único que deveria sofrer com isso sou eu. Não? Mas não sofro.
Me aceito como sou. Entendo e reconheço todos meus erros. Mas não sou errado pra mim.
Gente como eu vive mais o mundo da emoção do que a realidade da vida.
Mas quem pode dizer que a própria loucura não é pra suportar a vida?
Todos somos errados. Uns mais, uns menos.
Gente como eu nasce, vive e morre sozinha.
Gente como eu sente demais.
Por causa disso mete os pés pelas mãos demais.
Mas gente como eu, quando vai embora, deixa mais lembranças em forma de saudade.
E saudade, todo mundo sabe, é o amor que fica.