No mundo tudo é realidade, nada é sonho! Quisera que muitas realidades fossem sonhos e que muitos sonhos fossem realidades. Quando o presente se tornar passado, e a nossa juventude se ver, talvez, crespada pelos ventos e tempestades da vida: há de reler estas linhas então se lembrará deste amigo que terá sempre no coração a sua amizade.
Quando eu estava na 1ª série, reconheci meu primeiro "melhor amigo": Willian. Ele morava perto de mim e, com frequência, íamos na casa um do outro. Isso porque, naquele tempo, não existia nada disso de internet. As pessoas se conheciam mesmo, não "adicionavam umas as outras". Na nossa 3ª série ele saiu da escola, ou mudou de cidade, e não mais nos falamos. Mas pouco antes, reconheci o Paolo, que também morava perto de casa, e andávamos os 3 sempre juntos. Este último também saiu da escola, mas uns dois anos depois, e também perdemos o contato.
Então reconheci Luís Eduardo. Esse morava longe de casa. Apesar de não acreditar em destino, acho que algumas coisas são feitas para acontecerem. Em 1996 minha bisavó nos deixou. A propriedade em que ela morava, um restolho do que já foi um sítio com cinco quilômetros de comprimento, em meio à cidade que já invadia tudo, foi vendida e, meus avós paternos, que moravam na mesma propriedade, mudaram-se a 1 quarteirão da Igreja Santa Luzia, bem em frente à casa onde mora (até hoje) os avós do Dú, como era chamado o Luís Eduardo.
À partir daquele ano sempre chamava os moleques que moravam ali em volta (Átila, Diego, Edinho e o próprio Dú, quando estava ali) para jogar bola no fundo da casa da minha vó, que tinha um gramado.
Um dia apareceu na casa da Dona Esmeralda, vó do Dú, um Gol azul de onde saiu a Isabela, prima dele, que morava em Rio Preto. Ela foi minha primeira paquerinha. Nunca chegamos a dar nenhum beijo sequer, mas trocamos muitas cartas que faziam as borboletas no meu estômago se agitarem bastante. Em 1997 o Dú também mudou de escola. Mantivemos um pouco do contato, sempre que ele ia praqueles lados. Nesse ano eu reconheci o Dênis, a amizade mais estranha que eu já tive. No mesmo ano, por algum motivo que não sei qual até hoje, decidi que não queria mais ser amigo dele e veio uma fase bem turbulenta da minha vida. Com essa minha escolha, vários outros acabaram brigando comigo também.
Em 1998, reconheci o Batata, filho da Dona Adair, coordenadora da escola em que estudávamos. Ele esteve na minha classe desde o Pré I, em 1989. Porém, como diz a palavra que estou usando, eu o reconheci somente naquele ano. Antes do meio do ano, ele me disse que estaria mudando pra Rio Preto com a família. Acabou ficando o segundo semestre ainda em Votuporanga, com a Dona Adair e, no fim do ano, mudou-se em definitivo. No mesmo período em que soube disso, a Isabela mandou a última carta dela, "terminando" nosso caso, se é que existia um caso.
Nesse ano, também, entrou na minha classe o Hery, que já conhecia o Matheus, que eu reconheci naquele ano ainda.
Quando eu cheguei à 8ª série, na minha classe, entre muitas caras novas, estava também a Camila, que havia chegado no ano anterior à cidade. Lembro que, sem nem saber seu nome, ela chegou em mim, perguntou se eu era o Bruno, primo da Roberta, respondi que sim, e ela não disse mais nada.
Ainda nesse ano, eu mantinha minha amizade com o Batata. Ele estudava, em Rio Preto, no colégio Santo André, na mesma classe de, pasme, Isabela.
Naquele ano, 1999, eu participei de um encontro de jovens da Igreja Santa Luzia, em Votuporanga, chamado EJUSAL. Era o 2º. Minha prima havia feito o 24º EJUSA em Rio Preto, me deu o convite para o 1º EJUSAL, mas eu não quis fazer, e eu acabei aceitando depois.
Foi em Outubro de 1999 o EJUSAL. Fizemos um juramento de não contar nada do que acontecera lá, então tudo o que posso dizer é que, numa certa hora, recebemos mensagens dos amigos e familiares. Havia uma da Camila que, depois fiquei sabendo, havia feito o 1º encontro, conhecido minha prima lá, e ambas trabalharam no meu. Recebi também uma mensagem do Matheus, que me fez ficar com os olhos marejados na hora. Tenho até hoje guardada, e decorei na primeira vez que li. E é com ela que abri este texto sobre amizade. Em 2000 ainda trabalhei no 1º EJUSA, um encontro nos mesmos moldes, mas da Igreja Matriz.
Ainda em 99, reconheci o Edson, que estava na minha classe desde 1996.
Camila, eu e Edson andávamos sempre juntos. Somente viemos a nos afastar no ano seguinte, em 2000, quando ela começou a namorar o Dênis, aquele mesmo de 97. Apesar desse afastamento entre mim e ela, eu e ele voltamos a nos falar, por causa de uma chantagem dela com ele. Ela também namorou com o Matheus (pelo jeito só comigo que não) e, prá minha sorte, como nunca havia acontecido, eu tinha mais de um "melhor amigo" comigo. E a Camila mudou de cidade no fim daquele ano.
Apesar da convivência, Edson e eu, e Matheus e eu, não era a mesma coisa em 2000 mais. Minha amizade com o Batata que era fortalecida.
Foi nesse ano que minha mãe começou a dar aula na Dinâmica. Foi assim que fui presenteado com a maioria dos amigos que tive em anos: Franciane, Nayara, Elaine, Bruno, Mamito, Sabrina, Celso, Fabiana... E eu e Batata, que só tínhamos um ao outro, ganhamos muitas e excelentes companhias.
Nesse ano, depois já de 10 anos estudando na mesma escola, queria a todo custo sair de lá. Não gostava de quase ninguém, salvando só o Edson, o Matheus, o Hery, o Fransak. Queria ir prá Dinâmica, onde estavam todos que eu gostava e gostavam de mim. Pedido indeferido. Amarguei ainda mais 3 anos ali.
No fim de 2000 conheci muita gente do Anglo: Santini, Ceará, Rômulo, Renan, Pescaldo, Made, Mota, Massa, Bordi (que era da minha classe desde a segunda série, mas também saiu da escola)... Mas era só o começo ainda... Mais ou menos no meio de 2001, aquela turma da Dinâmica se dissipou por completo. Eu ainda fiquei num subgrupo com Elaine, Celso, Fabiana, Sabrina e o Batata sempre comigo. Mas acabamos nos afastando logo. Batata e eu nos aproximamos daquela turma do Anglo, que tinha ainda Mariana Marin, Luiza, Iara, Mariana, Natália... criamos nosso canal no mIrc (#paperclip) e, dentre as muitas coisas que fizemos, tivemos um bloco de carnaval por dois anos (2002 com 30 pessoas e 150 em 2003) e um time de futebol, que participou de dois campeonatos e, em 2003, a maioria de nós montou o X-Team, que durou até 2004, e em 2006 fez seu último jogo.
Em 2003, Batata e eu nos reaproximamos de Elaine, Sabrina, Fabiana, Celso..., mas por pouco tempo.
O último envolvimento que tivemos com alguma turma foi de 2004 em diante, apesar de muito distante ainda, com Santini, Iara, Made, Natália, Pescaldo e Mariana.
Hoje mal nos encontramos todos nós. Uns meses atrás reencontramos a maioria, e jogamos bola como nos velhos tempos. Bom, não como nos velhos tempos.
Uso a palavra reconheci porque um poeta sabiamente disse que nós não fazemos amigos: nós os reconhecemos. Durante muito tempo, eu tive só um bom amigo. Reconhecia outro quando o perdia. Depois de um tempo, comecei a colecioná-los. Apesar do prazer de tê-los tido em minha vida, também tive o desprazer de ver quase todos indo embora. Poucas coisas apertam tanto meu coração quanto isso.
Propositalmente não citei os amigos de 2006 até hoje, pois ainda os tenho. Eles já sabem como gosto deles, e também terão suas menções aqui se um dia se forem.
Propositalmente não citei meus pais, pois são uma categoria diferente de amizade.
Apesar da distância, tanto física quanto temporal, sou muito grato a Deus por ter colocado no meu caminho essas pessoas, e de cá, ainda digo: feliz dia do amigo, meus ex-amigos.