em qualquer lugar do mundo

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quarta-feira, 31 de março de 2010

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[ Dando continuidade ao texto iniciado em 10/04/08 ]

Tem dias que alguma coisa parece diferente. Não é o ar gelado, nem a sensação de vazio. É algo que eu ainda não consegui explicar, muito menos entender.
Não são as pessoas que nem me olham. Não é o vazio das noites, o farfalhar das manhãs.
Não é o cheiro da grama cortada, a saudade do passado, o sol fraco atrás das nuvens.
Não é a distância, os nomes, os números.
Não são as músicas repetidas, os acordes novos, as danças que eu não conheço.
Não é a cor azul, o palhaço se maquiando, o fim do caminho.
Não tem nada a ver com o jeito que eu acordei, o sonho que tive ou ter ido dormir tarde ontem.
Não é você, não sou eu, não é a nossa história.
Não é a ausência das lágrimas, a falta do sorriso nem a vontade de um abraço.
Não está no soluço cortado, na risada contida, na admiração não expressada.
Não está nas paredes dessa casa, nas cartas que eu te mandei e nos versos que você ainda não leu.
Não está na sua maquiagem, nas nossas fotos e na falta que eu sinto do seu perfume.
Não é porque não tenho outra fã, nem que ninguém me lê.
Não que me importe que não faça sucesso, nem que ainda não seja conhecido.
Não é que eu queira uma vida melhor e dias maiores, nem que nunca teremos uma noite só nossa ou outro cinema pra chorar.
Não é porque tenho vontade de segurar sua mão de novo e te dar um presente no dia dos namorado. Também não é a sensação de perda por pensar que talvez nossa história não tenha uma nova volta.
Não é sua frieza, o sabonete e o abraço pela manhã.
Me diga você: o que é?

Determinismo



[ Dando continuidade ao texto iniciado em  04/09/07 ]

Ainda não entendi bem o fluxo das coisas como são... Bem que alguém poderia explicar direito esse negócio de "tudo acontece por algum motivo". Acho que, na verdade, até sei parte do motivo de dois caminhos se cruzarem em algum momento. Buscando na memória qualquer coisa que possa explicar isso, qualquer evidência que possa dar uma dica do movimento do planeta, consigo enxergar que dois caminhos se juntam porque estavam predestinados a isso. Não que eu seja um credor irremediável do destino. Na verdade não acredito nele. Acredito, sim, que escolhas definem o caminho que será traçado.
Veja bem. Você encontra a mulher da sua vida no caminho. Destino? Não. As escolhas que você fez lá atrás permitiram que você a conhecesse. O destino quis que você fizesse aquelas escolhas lá atrás? Não. Suas sensações, suas emoções, suas percepções do mundo o fizeram escolher o que escolheu. Determinismo. Essa é a palavra. O meio em que se vive, as pessoas que aparecem, determinam seu comportamento. As emoções que você viveu, as emoções que se permitiu viver, que se permitiu evitar, as dores sofridas, vividas, passadas, tudo isso determina como você vai fazer suas escolhas no futuro.
Talvez por conta disso você não se entregue tão fácil, talvez não se apaixone logo, ou talvez se permita viver um grande amor, se permita sonhar, acreditar.
O mais importante é entender que o tempo todo tudo ainda trabalha para que as coisas e as pessoas continuem influenciando nas suas próximas escolhas.
Então, não deixe que um sentimento verdadeiro de hoje seja sufocado por uma mágoa de ontem.

Quarta-feira cinza



[ Cidadão ]

Tá vendo aquele edifício, moço?
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição, era quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje, depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me vem um cidadão
Que me diz desconfiado:
Cê tá aí admirado, ou tá querendo roubar?
Meu domingo está perdido
Vou pra casa entristecido
Dá vontade de beber
E pra aumentar meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que eu ajudei a fazer
Tá vendo aquele colégio, moço?
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Fiz a massa, pus cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
Veio pra mim toda contente:
Pai, vou me matricular
Mas me diz um cidadão:
Criança de pé no chão aqui não pode estudar
Essa dor doeu mais forte
Nem sei por que deixei o norte
Então pus a me dizer
Lá a seca castigava
mas o pouco que eu plantava
tinha direito a colher
Tá vendo aquela igreja, moço?
Onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Mas ali valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que Cristo me disse:
Rapaz, deixe de tolice
não se deixe amedrontar
fui eu quem criou a terra
enchi os rios e fiz as serras
não deixei nada faltar
hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar

segunda-feira, 29 de março de 2010

Antes...



I dont wanna talk about how you broke my heart..

Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento.
Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção.
Eu nunca respeitei sua banalidade...
Nunca entendi como pude ser tão escravo de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava.
Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução..
Não vou dizer como você me fez chorar e perder toda a esperança que tinha de encontrar alguém que gostasse de mim..
Muito menos vou dizer o quanto você me tornou racional e incapaz de acreditar que um relacionamento pode dar certo... E que duas pessoas conseguem ficar juntas sem enjoar uma da outra...
Que me fez ser descrente... E me ensinou a desconfiar de qualquer boa vontade ou elogio alheio...
Não vou comentar..
Não quero me lembrar o quanto você era inteligente e o quanto me fez crescer... pensar... Me fez essa pessoa crítica, que gosta de argumentar e sem meias respostas...
O quanto me humilhei... Quanto no “nosso” amor...
Era o meu amor que eu queria que fosse o seu também...
Por vezes, até tenho recaída... Mas é só olhar ao meu redor que já me lembro de quanta decepção foi me dada...
Responsável por todas as minhas manhãs sem esperança, noites sem aconchego, tardes sem beleza...
Lembro da sua tristeza disfarçada em arrogância...
Você me via tanto, que preferia fazer que não via nada...

Chorar deixou de ser uma necessidade e virou apenas uma iminência.
Sofrer deixou de ser algo maior do que eu e passou a ser um pontinho ali, no mesmo lugar, incomodando a cada segundo, me lembrando o tempo todo que aquele pontinho é um resto, um quase não pontinho.
Você, que já foi tudo e mais um pouco, é agora um quase.
Um quase que não me deixa ser inteiro em nada, pleno em nada, tranquilo em nada, feliz em nada.


[ http://www.fotolog.com/natiti ]

Eu sobrevivo (Vanusa)



Logo no começo eu me apavorei. Quando você me disse adeus eu não acreditei e passei noites sem dormir, naufragado em tanta dor. Mas consegui. E hoje me orgulho do que eu sou. E vem você me procurar, achando que era só pedir eu ia logo te abraçar. Pois eu devia ter mudado de telefone e de lugar, se eu soubesse aquele dia que você ia voltar. Agora sai! Pois eu mudei. Você não é mais alguém que eu tanto admirei. Você pensou que era meu sol, meu paraíso, e achou que eu ia me humilhar por teu sorriso. Não, não eu. Eu não preciso. Pois aprendi que sem você, sem seu amor, eu sobrevivo. Tenho sonhos pra sonhar, tenho tanto amor pra dar. Eu sobrevivo!
Foi difícil não ceder, não cair no chão, juntar de novo os pedaços do meu coração. E tantas noites eu passei sentindo tanta dó de mim. Mas acabou! E minha dor chegou ao fim. Olhe pra mim. Vê que eu mudei. Porque não sou mais quem eu era quando te encontrei. Você pensou que ia estar sempre esperando por você. Mas hoje eu guardo o meu amor pra quem de fato merecer.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Charles Chaplin



"Se tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando. Falei como um palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da plateia que sorria."

segunda-feira, 22 de março de 2010

Como foi, como era, 1993, 1994




Ontem à noite estava vendo o último programa de esportes do domingo, na televisão, e eles mostraram o gol do Roberto Carlos pelo Corinthians, contra o Santo André, dia 14.03.2010. Não gosto dele, pelas sacanagens que fez no futebol, como a Copa da França em 1998 e da Alemanha em 2006 (sem entrar no mérito da vida pessoal, que a mim não cabe). Mas admiro esse cara. Admiro principalmente pelo jeito de ele jogar. É o tipo de jogador que não existe mais, que não é formado mais. O jeito de correr, de chutar, de se posicionar, de marcar. É o último da safra dourada dos anos 1990, como, por exemplo, dos que vi jogar, Edmundo, Cafú, Raí, Clebão, Júnior Baiano, Zinho, Zetti, Taffarel, Romário, Bebeto, Branco, Leonardo, Djalminha, Evair, Alex... Poderia citar tantos outros nomes daquele tempo que parecia infinito - como todo tempo bom da nossa vida. Coisas como essas. Parecia que naquele tempo as pessoas não enganavam tanto quanto hoje, parece que era mais fácil sair na rua, jogar bola, ter amigos...
Pra falar a verdade eu não lembro de muita coisa do futebol. O que eu lembro é do meu pai na sala de casa comemorando o Palmeiras campeão, gritando prá televisão, em 93 e 94. Foi nessa época também que eu comecei a treinar futebol no Assary - há de se lembrar que eu não sabia NADA de futebol, e me colocaram pra jogar de zagueiro, seja lá o que fizesse essa posição. O treinador era o Marcão, um ex-jogador da Votuporanguense, dos tempos áureos da Votuporanguense, negro, de bigode. Dos tempos em que meu pai me levava no estádio Plínio Marin, em Votuporanga, na moto Honda CG 125 vermelha dele, no tempo em que nem precisava usar capacete, e o goleiro era o mito Sabará - mascarado até onde dava. Mesmo depois de parar de treinar no Assary, quando ia lá, Marcão sempre lembrava de mim, e brincava me chamando de Thiago Ferro, um outro moleque que também treinava lá e, segundo ele, éramos muito parecidos. Ainda tenho amizade com o Thiago, que foi jogar na França um tempo, mas voltou. Minha mãe conhece a mãe dele, que trabalha na De Haro, na Rua Amazonas. Marcão morreu alguns anos atrás.
No que envolve meu pai e o Assary, lembro que ele me levava lá, ainda com a motinha vermelha. Entrávamos na piscina, ele me levava naquela mais funda, me colocava no ombro, e eu morria de medo de ele me soltar lá. Era no tempo em que eu não alcançava o fundo da Olímpica, e que a entrada da sauna ainda eram duas escadarias em frente à escada prá cantina, onde, por vezes, encontrávamos o Amaury, o dono do açougue em frente ao escritório do meu pai, pra onde às vezes eu ia de bicicleta e fazia minha mãe me vestir com calça jeans e camisa, mesma roupa que meu pai usava pra trabalhar. Era nessa cantina que lembro de ter visto alguns jogos do Palmeiras com meu pai, o Amaury, o Rogério, filho do Seo Careca e da Dona Raquel, donos do bar que ficava ao lado do Açougue, e mais alguns outros de quem não me lembro, no time onde jogavam Roberto Carlos, Cafú e tantos outros citados no começo do texto.
O campão, como chamávamos o campo onde ocorriam jogos do time do Assary, ainda era rodeado por eucaliptos imensos, era onde tinha também o compeonato de pipas e papagaios, já extinto no clube.
A rua Amazonas, a rua principal da cidade, já não é mais a mesma, também. Outro dia ainda me lembrava das lojas que existiam lá, e não estão mais em seus lugares. Lembro de quando, nos finais de ano, à noite, a rua fechava para as pessoas transitarem a pé, para as compras de Natal. Meu pai me levava no ombro, e minha mãe do lado. Lembro de comer pipoca, dessas de pipoqueiro. Ainda existe isso?
Lembro da minha mãe participando das feiras de artesanato, no salão social do Assary. Um dia eu e meu irmão fomos lá e ganhamos de um cara, que vendia pedras, uma pedra linda, brilhante, roxa. Era a mais bonita que eu tinha na minha coleção.
Embora escura, e sem grandes detalhes, minha memória de 93 e 94 é assim, de um tempo que eu tenho muita, mas muita saudade, por tudo que envolvia, pelas pessoas, pelo que eu tinha, pelo não passar do tempo, pela escola, os amigos, as circunstâncias, o mundo como estava. Do interior e da minha cidadezinha, do lugar que tenho tanta saudade.
Não tem como lembrar disso tudo sem os olhos derramarem lágrimas.
De que me adianta viver na cidade se a felicidade não me acompanhar?

domingo, 21 de março de 2010

A primeira noite



[ Um dos primeiros capítulos do livro 'em qualquer lugar do mundo' ]



Ontem eu saí de casa. Não podia mais ficar preso. Queria sair, queria qualquer coisa, menos ficar parado no mesmo lugar. Peguei o carro e saí sem direção, sem rumo algum, e sem ninguém. Meus pés até tentaram acelerar em direção à sua casa, e os pneus até estranharam passar reto, e não virar na sua rua.
Encontrei alguns amigos, era uma festa.
"Comemorar o quê?", pensei. "A destruição do mundo? A morte de um ser humano dentro de outro?"
Um clima horroroso. As pessoas pareciam sumir o tempo inteiro. Fazia poucas horas que tínhamos tido aquela conversa. E parece que eu não podia fazer nada para reverter aquilo.
Estou em frente a você. Suas palavras entram doendo em meu coração. Ou é você saindo de dentro de mim? Tudo que ouço é só um sussuro, e um monte de vozes falando ao mesmo tempo. Estou jogado aos seus pés. Estou de joelhos implorando que volte. Por que isso? Me fala! Para com essa conversa um pouco, por favor! Está me matando! Responde alguma pergunta minha!!
"Ei! Você é o namorado da minha amiga, né?", uma estranha me abordou, sorrindo.
Retribuí com um olhar cheio de expressão, meio perdido sem encontrar a resposta ainda.
"Eu era. Ela terminou hoje."
Ela me olhou com uma cara de deslocada, se desculpou e saiu. Não mais a vi.
Chega. Não podia mais ficar ali. Vou sair, vou fugir, não vou voltar pra casa. Sei lá, vou procurar alguém, dar umas risadas, beber alguma coisa.
Parei perto de um bar. Entrei, peguei uma Ice na geladeira, a bebida que você tanto gostava, paguei, e fiquei ali, avulso, na calçada, tomando sozinho. Então, ainda com o olhar perdido, olhando para o nada, virtualmente cego, lembrando de você, me segurando pra não chorar, te vi lá do outro lado da rua. Parada. Perplexa. Congelada. Me olhando. Estava com as amigas, mas parecia que estava sozinha. Fui em sua direção. Ela deu as costas e continuou andando, como se quem se aproximava fosse alguém que lhe fez muito mal, e não o homem pra quem ela havia dedicado todos os anos seguintes de sua vida, até que a morte os separasse.
Gritei seu nome e não se virou. Corri, segurei seu braço. Eu a olhei, ela me olhou.
"Podemos conversar?"
"A gente ainda tem alguma coisa pra conversar?"
"Então vamos comer alguma cosia. Prometo não tocar nesse assunto."
Ela não disse que sim nem que não, mas falou alguma coisa com as amigas e me acompanhou. Levei-a ao mesmo restaurante onde sempre íamos. Comemos, bebemos, rimos. Dois agora estranhos, como velhos amigos. E quem não soubesse de nada, nem imaginaria que havia acontecido o que aconteceu naquela tarde.
Nesse momento, não prestei muita atenção no que ela falava. Aproveitei o momento pra ficar observando. Observando, não: admirando. Aquele jeitinho todo meigo, aqueles olhos grandes, a boca aveludada e a pele morena. O sorriso, o jeito de falar, de arrumar o cabelo, a forma como explicava que não se deve colocar os cotovelos na mesa. "Sempre, às vezes, nunca". A lição que eu nunca esqueci. Falava do ensaio naquela tarde, do festival que se aproximava. O festival que eu provavelmente não veria. É, eu sei, já tinha visto uns 800 festivais, mas o seguinte, tudo indicava, eu ia só ficar sabendo como tinha sido.
Quando terminamos, paguei a conta e saímos. Abri a porta do carro pra ela, como de costume, e quando me virei ela se jogou em cima de mim, me abraçando e encostando sua boca na minha, como se aquele fosse o nosso primeiro reencontro, como se ela também estivesse louca pra retormarmos de onde paramos, como se nada nunca tivesse acontecido.
Retribuí o abraço, o beijo, o carinho, o calor. Perguntei "isso é você voltando?". Ela não respondeu e sorriu, e continuamos ali. Já no fim da noite, enquanto dividíamos o mesmo edredon, eu a abracei forte, tão forte e tão sutil quanto era possível essa combinação, numa evidente linguagem não verbal querendo dizer que nunca mais a deixaria ir embora.

A manhã seguinte irrompeu pela janela do meu quarto, me acordando com aquela luz e aquele calor. Acordei não querendo acordar, e virei para o lado onde ela estava deitada, jogando meu braço ao seu redor e... ela não estava ali. Acordei de um susto e a procurei por toda a casa. Suas coisas não estavam lá. Não pode ter sido um delírio, eu não bebi tanto. Eu tenho certeza, ela esteve aqui! Mas, se esteve, pra onde foi e por que foi?
Enquanto buscava respostas para as mais diversas perguntas, encontrei em cima da mesa o porta retrato, um igual ao que ela também tinha, em que ficava uma foto nossa, igual à que ela também tinha, com um verso no verso:
"Esse amor vai encontrar você em qualquer lugar do mundo".
Mas a foto... esta estava em cima da mesa, toda rasgada. Não só isso, eu estava separado dela.
"Acho que o que ela quis dizer com aquele sorriso ontem foi 'não'".
A porta se abriu. Em meio a tantas dúvidas, não estranhei a porta do meu apartamento, em que eu morava sozinho e do qual só eu tinha a chave, se abrindo e não era por mim. Ela entrou. Não questionei nada. Não tinha mais espaço pra perguntas. Ela estava linda - como se isso fosse um estado temporário pra aquela mulher. Sorriu e falou:
"Aquela foto estava velha. Achei melhor colocar outra, mais recente. Que acha dessa?"
Me mostrou uma foto nossa linda, da noite anterior. Estávamos na mesa do restaurante, sorrindo, com olhos sonhadores. Uma de suas amigas havia tirado a foto a seu pedido. Era isso que ela havia cochichado antes de vir comigo.
"O que eu acho?", pensei. Eu sorri e a abracei.
"Você está aqui! Desde que não vá embora, qualquer coisa que você faça tem minha total aprovação!"
No verso da foto, um verso, escrito com aquela letrinha pequena e redonda que eu reconheci da cartas que ela me mandava: 
"com você em qualquer lugar do mundo, mesmo que a morte nos separe".
A resposta era, então, 'sim'.

sexta-feira, 19 de março de 2010

f e a r . . .



Ultimamente ele tem me visitado todos os dias que me levanto para encarar a minha rotina, me atormenta até nas coisas mais sérias do meu dia-a-dia, não me deixa livre durante as tardes, me consome durante todas as noites e isso acontece todos os dias como um ciclo vicioso e se multiplica como uma ameba.
Que graça tem acordar e me preparar sabendo que não vou ter você comigo? Com sua partida, perdi toda a proteção e segurança que encontrei em você e naquele lugar. A chegada é dolorida, os intervalos são simplesmente intervalos e o fim me dá calafrios. Eu sei que já se passaram muitos dias, mas a sua falta lá ainda me dói, e como dói!
As coisas estão bem mudadas. Não te tenho todos os dias, não tenho companhia e muito menos me sinto bem. As rotinas mudaram. Agora surge para você um milhão de compromissos e eu ainda estou aqui, parado, intocável, sem saber o que fazer, como agir, para onde ir.
E mais uma vez ele vem me atormentar e não consegue me deixar em paz um só minuto!
Volta pra ver se ele vai embora?


quinta-feira, 18 de março de 2010

Epílogo



[ Epílogo alterado da segunda versão do livro 'em qualquer lugar do mundo' ]

Ela foi uma menina que me apareceu num momento em que eu não precisava de ninguém. Eu estava muito bem, eu estava feliz. Mas ela precisava de alguém. E eu acho que foi com esse motivo que nossos caminhos se cruzaram. À primeira mão, ela fazia o tipo que eu nunca gostei: carioca e amante das danças. Desnessário dizer que isso mudou completamente.
Ela foi uma menina que me fez sonhar, me fez sentir o amor numa forma que eu nunca havia experimentado antes. Nós éramos amigos, nós ríamos muito juntos. Uma história cheia daquelas "coisas que a gente vai rir quando passar". E foi assim mesmo. Um amor sem restrições, com preocupações. Saudades e lágrimas na despedida, taquicardia e descarga de adrenalina no reencontro. Foi fidelidade, foi confiança, foi dedicação.
Foram tempos difíceis, a 300km de distância, e poucos encontros. Foram milhares de festivais de dança, trilhões de fotos. Existem as histórias pra contar, as lições aprendidas, a imagem que tinham de nós dois juntos. Só não tinha briga. Isso sou até orgulhoso de falar que não existia entre a gente. Eu conquistei a família dela, como ninguém tinha conseguido, e ela conquistou a minha, de uma forma que eu nunca tinha visto. Foram cartas, festas-surpresa, carnavais, Natais, Páscoas. Foi de tudo, em tão pouco tempo.
Mas como toda estrela, um dia chega a hora de se apagar. Um ano atrás ela decidiu que no meu céu ela não brilharia mais. Um ano depois, eu entendo como a vida funciona. Posso até dizer que foi o pior momento da minha vida. Se ela fez de 2005 o melhor ano pra mim, ela também tentou fazer esse o pior. Hoje, eu não sinto amor por ela, mas também não sinto raiva. Não tenho ciúme, mas também não é displicência. Não a quero como amiga, mas também não como inimiga. Não lhe desejo sorte, nem tampouco azar.
Não espero que tenha sucesso, nem aguardo seu fracasso. A partir de hoje, ela volta a ser a irmã de um amigo meu, como era antes de ser a-garota-que-chegou-pra-mudar-tudo. Sua mãe, grande amiga, agradeço a confiança incondicional depositada, passa a ser só a tia, como sempre chamei, como toda mãe de amigo. A partir de hoje, não vou permitir me abater por ela. Vou guardar a nossa história como um bom momento, se um dia precisar usar de exemplo pra alguém. Mas de um tempo que era, não que possa voltar a ser. Eu fui fiel a você enquanto estávamos juntos, depois disso, não garanto mais nada. Só quero que você saiba que vai ficar guardada na minha história, como uma jóia rara, mas que depois me doeu muito admitir e aceitar que era só uma bijuteria. E eu sei que marquei a sua vida, mesmo que você nunca venha a admitir.
Não se sintam obrigados a me consolar quando lerem algo que possa parecer que remete àqueles tempos. Eu garanto que tudo vai ser diferente. Os textos "confusos", que muita gente me pede, vão continuar existindo, mas não leiam achando que é em memória a um amor que morreu. O poeta é um fingidor. Peço, ainda, que se alguém quiser tocar nesse assunto comigo, sinta-se à vontade. Não é mais como antes, que me doía lembrar. Estou disposto a ajudar quem precisar, e usar o que eu precisar dessa história, que também é minha, para esse objetivo.
Você soube lidar com a distância, com a responsabilidade de um grande amor. Soube entender o assédio das mulheres em mim, e manuseou com habilidade o assédio dos homens em você. Você soube lidar com sua família, com minha família, com os amigos. Você soube suportar dores, demonstrar emoções e agir corretamente em situações novas e inesperadas. Você só não soube o que fazer com aquela vozinha latente que sussurrava o tempo todo em algum lugar da sua razão: ele é demais pra você.

Introdução



[ Introdução da segunda versão do livro 'em qualquer lugar do mundo' ]

De repente toda mágica se acabou. Falei de todos os detalhes, do meu ciúme, da minha paixão. Meus medos, meus sonhos. Tudo está registrado aqui, desde o ódio mais profundo até o amor mais avassalador. Vou embora, mas deixo um restinho de saudade. Deixo as marcas de 2 anos pra quem quiser ver, pra quem quiser não seguir meus passos e pra quem quiser aprender como sobrevivi às tempestades.
O que eu quis, nesse tempo todo, foi mostrar que a felicidade é um caminho possível. Sonhe, sonhe alto. Busque seus objetivos. Ame de verdade, perdoe os que te fizeram mal. Acredite num sonho, acredite nas pessoas, acredite em você mesmo. Colecione amigos, tenha histórias para sentir saudade. Trace um caminho, mas deixe sempre aberto um caminho de volta. Caia, mas levante-se. Não deixe sair do coração quem está no lugar certo, e não deixe entrar quem não deve. Ria bastante, mate o tempo, invente algo novo. Não durma muito, não estude tanto, não se preocupe demais. Seja criança, volte à adolescência. Ensine os mais jovens e aprenda com os mais velhos. Saiba entender um coração cansado, saiba ouvir uma alma sofrida. Trate com carinho, fale macio, olhe nos olhos quando conversar. Falar mal não faz mal, mas não divulgue. Mostre que você se importa, que você gosta, que você adora amar. Guarde uma boa lembrança, escreva cartas, crie sorrisos. Confie em Deus, transmita Sua palavra, viva do modo como Ele ensinou. Ele só pediu que nós nos amássemos...
Aqui encontraram. Aqui onde tem tantos sonhos, aqui todos podem voltar quando quiserem. As memórias estarão esperando. Aqui, naquele tempo nada mudou, como eu prometi. Aqui tudo é diferente. Aqui amei perdidamente e deixei lembranças. Aqui onde eu me escondi.
E meus sonhos, minha memória, minhas mensagens secretas, tudo vai ficar aqui.
A todos que aqui já estiveram, deixo aqui minha biografia.
Até a próxima.

terça-feira, 16 de março de 2010

À moda raiz




As noites chegam como chibatas em meu peito, trazendo o frio e a triste lembrança de quando eu conseguia ver as estrelas.

As luzes da cidade, olhando aqui de cima, são manchas de saudade inertes na neblina.

Lembranças que me trazem imagens do chão de terra e do silêncio da madrugada. Da calmaria da rua, e da lua brilhando forte no céu. Você que nunca viu nada disso, que não sabe o que é apreciar o vento frio da noite numa rua tranquila, numa praça cheia de famílias, à semiluz dos spots, o pipoqueiro, o tio do algodão-doce, do sorvete, o cinema em frente, e a fonte da igreja matriz jorrando águas em tons pastéis, desculpe, mas você está fazendo o quê na vida?

Coração não bate: apanha, no meu peito. Louco de saudade eu choro, não tem jeito.

Que saudade eu tenho, dos fins de semana sem ter o que fazer, e dos dias de semana sem essa calmaria. Das festas com o pessoal deselegante, e das "caipirinhas" falando errado e puxando o R.

O que é que eu vou fazer com esse fim de tarde? Pra onde quer que eu olhe, lembro de você.

Quero ir embora. Decidi. Quero de volta as árvores na calçada, passear sem camiseta e descalço com meu cachorro, e dirigir pela estrada de terra até o sítio. Quero festa de peão, poeira subindo, o sotaque do interior e missa no domingo. Quero de volta tudo que deixei pra trás. Quero votlar pro lugar onde todos sabem meu nome.

segunda-feira, 15 de março de 2010

O meu canto ínfimo



[ Il mio canto libero ]

E num mundo que não te vejo mais
O meu canto é ínfimo sem ti
Essa imensidão se abre em torno a nós
Bem além do limite dos olhos teus
Nasce um sentimento, nasce em meio ao pranto
É um sinal fortíssimo
E vá
E voe sobre os sonhos dessa gente
E tudo dessa tarde indiferente
É o resto que sobrou do nosso amor
De ver o amor
E num mundo que (cai um dia o muro)
Prisioneiro és (recobrindo nossas rosas encantadas)
Livre respirávamos nós dois (revive, então)
Porém a verdade (bosque abandonado)
Clara, brilha hoje (e por ele sobrevivendo virgem)
É nítido em sua música (revive ou não)
Sou eu (se eleva ou não)
Novas sensações, novas emoções
Se expressam já puríssimas em ti
Com medo do fantasma do passado
Caindo desse quadro imaculado
O seu sorriso tímido de amor
De puro amor
E respiro-te
Doze cravos que não sei domá-los mais
Escuro está
Ao final teu abraço
Se tudo vai
Peço um dia quase
Recoberto de rosas selvagens
Revivo-nos, te quero mais
Bosque abandonado
E por ele sobrevive um querubim
Se abre a nós, se fecha em nós


sexta-feira, 12 de março de 2010

Cai o pano



[ Um dos últimos capítulos do livro Em qualquer lugar do mundo ]

Os primeiros raios da manhã apareciam por trás das nuvens ao longe, levando o ar gélido da madrugada, trazendo aquele cheiro inconfundível e a sensação desagradável que eu vinha sentindo todos estes dias. Mas nada se compara ao que senti ao fim deste dia.

6h da manhã. Estou há mais de 24 horas acordado. Não estou com sono. Lembro de alguns anos atrás, quando esperei a noite chegar na esperança de que levasse minha dor.

O que aquela mulher fez pra mim não é brincadeira. O que aquela mulher representou pra mim não é brincadeira. Eu nunca imaginei que teria alguém como você. Eu nunca imaginei que perderia alguém como você.
Se fosse possível voltar no tempo, no entanto, eu não mudaria nada. Nem o jeito que nos conhecemos nem o jeito que nossa história terminou. Não teria insistido mais pra repensar essa ideia absurda, não teria ido atrás, não teria feito nada para que voltasse. Eu aproveitaria essa oportunidade para lhe ensinar algumas coisas que aprendi nesses 20 meses em que tive uma semivida, num submundo triste, vazio e inimaginável sem você.

Mais de 24 horas relembrando tudo que um dia eu fui, tudo que conquistamos e fomos juntos. Nós poderíamos ter sido muito bons juntos, nós poderíamos ter feito aquela dança durar pra sempre! E agora, amor? Quem vai dançar comigo? A nossa música parou...

Se tivesse a chance de reencontrá-la, não no dia em que deixamos de ser um só, porque isso aconteceu alguns meses antes de nossos caminhos se separarem, mas no dia em que tomou aquela decisão incabível, destruindo nosso mundo, destruindo tudo do que eu era feito, teria tido uma conversa franca com você, e te falaria como seria a vida a partir de então.
Invés de evitar maiores dores pondo um fim rápido, com um breve "Tá bom, não vou insistir pra você ficar", teria deixado você terminar, acabar comigo, e só então, mesmo com o coração chorando, sangrando, apanhando enquanto batia, pronunciar palavas de alguém que aprenderia muito sobre os mistérios da alma nos 20 meses seguintes.

Quantas coisas eu esqueci. Manias nossas, coisas que criamos, rotinas... Me pego agora relembrando sem querer de alguma coisa, e meu sorriso se abre sozinho, porém discreto, e minha cabeça pensa "verdade, tinha isso".

"Sabe, aceito sua decisão. Não vou implorar de novo pra que reveja essa ideia. E como não tem volta, saiba que vou-me embora, e é possível que você nunca venha a ouvir falar de mim. Talvez ouça ou lembre. Talvez fique sabendo de algum plano meu, que era nosso, que deu certo, ou de algo em que falhei miseravelmente. Por favor, não sinta nem pena nem vingança de mim. O que você poderia fazer por mim é ficar comigo, e é exatamente isso que não está fazendo. Os próximos meses serão muito difíceis pra mim. Eu vou encontrar duas formas rápidas e indolores de acabar com o sofrimento, daqui dois dias vou ter perdido 3 quilos por não me alimentar direito e não parar de chorar, e não vou aguentar ninguém me perguntando de você sem ficar com os olhos marejados. Por causa disso, vou entrar numa defensiva e demorar mais pra te esquecer, pra superar. Alguém vai vir me perguntar de você, e eu não vou querer responder. Mas tem um lado bom nisso tudo, também. Vou separar colegas de amigos, ficar mais arisco e me amar mais. Coisa que você faz tão primorosamente bem."

Como doi reviver tudo isso sozinho! Como é ruim imaginar sozinho os melhores anos da minha vida! Por que você teve que ir embora?? Por que essa decisão, por que me destruir? Responda com sinceridade pelo menos uma vez na vida!

"Durante algum tempo vou carregar uma certa raiva de você. Mas me entenda, é perfeitamente normal. Você está tirando de mim o que eu mais amo nessa vida, o que eu tenho de mais valioso, meu bem mais precioso. Não lembra quantas vezes prometemos e pedimos um ao outro que nunca iríamos embora? Paciência, né? Se o tempo não quis assim, se era esse o nosso fim... Que seja assim então. Espero que você seja feliz, tão feliz quanto eu fui estes últimos anos. Se precisar de mim, por favor, não me procure. Eu não vou voltar nunca mais pra você".

Que mentira eu contei aquele dia! Mas é claro que volto! É o que eu mais quero! Quero logo! Quero agora!

Vou sair daqui. Não posso mais ficar enclausulado esperando que alguma coisa mude. Preciso fazer alguma coisa, preciso dizer a ela como a amo, como ainda a espero, como minha vida só pode ser chamada de vida se tiver a dela comigo. Vou procurá-la. Ainda não é tarde demais pra recuperar a mulher da minha vida.

Saí correndo de onde estava, entrei no carro e sumi pelas ruas vazias naquela manhã de domingo. Não tive paciência pra esperar os faróis vermelhos, e não vi ninguém no caminho. Na cabeça, a imagem dela, aquele sorriso lindo e sua presença correndo em minha direção, como no nosso primeiro reencontro. Minha visão estava anuviada, o blur consumia o mundo em volta. E na praça perto de sua casa, vi uma figura solitária num banco, no nosso banco, onde rabiscamos nosso nome e uma data, de costas, com as mãos no rosto e a cabeça virada pro céu. Estacionei de lado ocupando várias vagas, não me preocupei em trancar o carro e dei passos largos em sua direção. A poucos metros do banco, ela puxou as mãos pra trás na cabeça, como se tivesse acabado de tomar uma decisão importante, se levantou com pesar e se virou. Nossos olhos se encontraram com surpresa. Ela, pela surpresa em me ver ali. Até parecia que estava me esperando tanto quanto eu a buscava. E eu, por vê-la com os olhos e a ponta do nariz tão vermelhos. "Ela estava chorando?".
Falei seu nome, e ela não esboçou reação alguma. Fui em sua direção, e ela me olhou. Seus olhos estavam maiores e molhados. Seu olhar acusava um medo sepulcral, e uma incerteza colossal. Ela voltou pro banco e, prá minha surpresa, nossos escritos não estavam mais lá. Nem sinal deles. Sentei perto dela e perguntei:
"O que foi? Aconteceu alguma coisa?"
Ela começou a chorar de novo. Limpou os olhos, olhou pra cima novamente, suspirou fundo e começou a falar.
"Você sabe que você foi a melhor história da minha vida. Você foi meu primeiro amor, e o mais profundo deles todos."
Sem me deixar falar que ela ainda era o meu maior amor, continou:
"Você sabe da importância que nossa história tem pra mim, e eu sei o quanto você sofreu depois do fim. Não sei o que as pessoas falaram pra você, mas sei como gostaria que ficasse sabendo: da minha própria boca. Há um bom tempo tenho pensado em como te falar isso, mas não encontro as palavras certas e nem o momento certo. Mas agora não há mais tempo a esperar, então mesmo que eu não tenha escolhido as palavras ideais, peço, por favor, que não cometa nenhuma loucura."
Ela fez uma pausa. Não a interrompi. Não era o momento. As palavras seguintes entraram como punhais em meu peito.
"Esta noite é a noite que eu sempre esperei, que eu sempre sonhei. Esta é a noite da realização de muitos planos que fizemos anos atrás. Mas você não vai poder estar lá. Você não pode ser convidado a esta realização, embora eu ache que o convite seria destruído assim que você o recebesse."
Meu coração batia cada vez mais acelerado e eu me sentia zonzo.
"Esta é a última vez que nos falamos. Apaguei todos os seus números de telefone, todos seus emails e destruí todas nossas cartas e lembranças. Os presentes foram doados ou destruídos. Não existe mais nada que faça referência a você. Amanhã estarei me mudando para outro país".
Nessa hora já não sabia o que pensar, se chorava, se gritava, se corria. Não tinha palavra pra nada. Mas não precisei, também. O golpe final veio em um sussurro suave, que enterrou de vez a minha alma no mais profundo limbo, onde residem as alma dos poetas apaixonados que se foram sem a chance de concretizar um grande amor:
"Esta noite eu vou me casar".
Meu coração parou.
Fiquei olhando pra ela, enquanto dizia alguma coisa como "desulpe-me" e saía correndo sem olhar pra trás. Fiquei ali no banco olhando pro céu, sem entender por qual razão o sol continuava brilhando.
Olhei para o lugar onde costumava ficar nosso nome, e não vi nada. Mas onde ela esteve sentada, ficou pra trás uma foto nossa meio amassada, como se suas mãos a tivessem apertado de dor enquanto se decidia como me daria a notícia. Era a mesma que ambos tínhamos cópia, e deixamos em um porta-retrato, cada um em sua casa, com um verso no verso: com você em qualquer lugar do mundo, mesmo que a morte nos separe.
Eu destruí tudo, ela mentiu. Enquanto se afastava, vi em seu pulso o número 26 que ela mentia, pra quem perguntasse, embora fosse mesmo, porém não o motivo pra estar ali, a data de seu aniversário.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Amiga minha



[ Amiga mía ]

Amiga minha, não sei...
Se só vives por ele, que o sabes também
Penso, não te vê como eu, suplicando minha boca
Que diga que me há confessado entre copos
Que é com você com quem sonha de noite
E que enlouquece com cada botão que
Te desabrocha pensando em teus olhos
Pois não te há visto sofrendo esperando
Uma palavra, algum gesto, um abraço
Pois não te vê como eu suspirando
Com os olhinhos abertos de par em par
Escutar-me, falar-me
Ah, amiga minha, eu sei, tu também...

Amiga minha, não sei que dizer
Que fazer para ver-te feliz
Oxalá pudesse mandar em minh'alma
Ou na liberdade que tanto faz falta
Levar-te os olhinhos de águas passadas
De sonhos e ilusões renovadas
Eu quero escrever-te uma poesia
Não pense que estou dando as notícias
Amiga minha, oxalá algum dia
Escutando meus clamores tu entendas
Que o que eu nunca quis foi escrever tua história
Porque podia resultar comovedora
Mas, me perdoa, amiga minha
Nem inteligência, nem sabedoria
Esse é o meu jeito de dizer as coisas
Não que seja meu trabalho: é meu idioma

Amiga minha, princesa de um conto infinito
Amiga minha, o que pretendo é que contes comigo
Amiga minha, pra ver se algum desses dias
Por fim aprendo falar sem eu ter que dar tantos rodeios
Que toda esta história me importa
Porque és minha amiga

Em suas mãos está meu coração



Pois sem você eu morro, e fico sem saber o que levou nossa história ao declínio, se foi o excesso de confiança em nós, se foi a falta de medo, que não nos deixou nos prevenirmos das coisas que poderiam causar nossa destruição, ou se, de alguma forma, nossos corações não queriam ficar juntos. Apesar de que eu contesto esta terceira hipótese...
Terceira... terceira vez... terça-feira... torço pra conseguir entender o que se passa, o que se passou e, se já passou, que algo ou alguém consiga me explicar. Porque fiquei esperando, e realmente tinha planos grandes pra gente. Mas talvez até fosse só eu que pensasse assim e nos imaginasse num futuro distante ainda juntos.
Imagine, apenas.
Então, se teve a chance de me fazer único, por que não fez? Se queria a chance de ser única, o que já é na minha história, com uma história única, por que, então, protelar pra mais tarde um desejo que talvez nem tenha razão pra existir?
Isso eu te garanto, que sendo o número um, não existiria outro número.
Na verdade, não é que não sei definir esse momento. É que eu não quero. Prefiro olhar de longe. Invés de eleger culpados e apontar o dedo, quero pensar e digerir isso tudo, como a garota quase sonho se tornou um sonho do qual acordei.
Tantas perguntas teria pra te fazer, e adoraria que respondesse. Mas não sei se quero fazer, se quero manter assim como está. Claro, ainda quero esclarecer tudo isso, com a mesma calma e serenidade com que vinha tratando sua neura e planejando o passo seguinte.
Sabe? Eu até sinto falta do seu jeito de tirar a tranquilidade da minha rotina. Se tinha meu coração em suas mãos, por que separou as mãos?

quarta-feira, 10 de março de 2010

Voltarei pra você (2)



[ E ritorno da te ]

Voltarei pra você
E num instante eu choro
E eu volto porque
outra cena não sei
Recordando os dias de outra longitude
Frequentando os postos onde te deixei
Recitando gestos e palavras que eu peço
Voltarei pra você
Do silêncio que há em mim
Pois diga se tem
Ainda por mim
Uma outra emoção
Uma outra paixão
Se ainda é você
Agora bem mais
Uma outra canção fresca e nova
Pois diga o que
Sobrou de nós dois
Aí dentro dos teus olhos
Olhos teus
Voltarei pra você
Porque ainda te quero
Voltarei pra você
Como o vento que vê
Eu retorno porque
Ainda sonho você
Respirando sofro
Com essa tua inquietação
Recriar suas mãos lindas junto às minhas
Não sentir-me sempre como frágil
Pois diga logo se tem
Ainda pra mim
Uma outra razão
Uma outra emoção
Diz-me se ainda é você
Agora bem mais
Na nossa canção que ressoa
Pois diga sem olhar
Uma coisa de nós
Que vive dentro dos teus olhos
Se ainda é você
Uma canção fresca e nova
Pois olhe pra mim
Uma coisa de nós
Vive ainda em você
Por você
Diz-me só que eu tenho seu retorno pra mim

terça-feira, 9 de março de 2010

Imagine, apenas



Imagine nós dois, só eu e você, daqui a alguns anos, morando juntos. Não precisaríamos ser namorados, nem casados, nem nada disso. Apenas amigos. E nós seriamos felizes, eu e você. Fotos de nós dois estariam espalhadas pela casa. Fotos suas no meu quarto, fotos minhas no seu quarto. Mas nós dormiríamos juntos. Pelo simples fato de eu te querer por perto, e você me querer também. Pelo simples fato do seu quarto estar bagunçado demais e a minha cama ser perfeita para nós dois. Eu teria medo do escuro, sem você. E eu andaria apenas com roupas íntimas, e você fingiria não se importar. E eu fingiria acreditar.
Eu fugiria de você, correndo pela casa, rindo, com o controle da televisão, só pra você não mudar o canal. E você me pegaria, e ficaríamos abraçados até o silêncio nos constranger. Nossos sábados à noite seriam nostálgicos, olharíamos todos tipos de filme, atiraríamos pipocas um no outro e pediríamos uma pizza. Nostálgicos e perfeitos, porque depois dormiríamos abraçados, no sofá da sala, ao som da melodia dos créditos de um filme de romance em que eu choraria do começo ao fim, e você riria de mim e comigo. Iríamos ao supermercado uma vez por mês, comprar as mais diversas porcarias. E não nos faltaria nada. Você não se importaria com as minhas roupas espalhadas pela casa e pelo seu quarto. Eu não me importaria com a sua bagunça diária, nem com a sua toalha de banho atirada pelos cantos. Nos domingos à tarde, ficaríamos na sacada do nosso apartamentinho no 3º andar, tomando chimarrão e cantando músicas velhas. Olharíamos as pessoas lá embaixo, casais apaixonados, e ficaríamos em silêncio, perdidos nos nossos próprios pensamentos. Suas amigas viriam te visitar, e eu choraria em silêncio, no escuro do meu quarto. Até elas irem embora e você ir dormir comigo, e perguntar se chorei. Eu negaria. Você acreditaria. Me acordaria no meio da noite para contar um sonho que teve. E nós riríamos juntos. Me acordaria com café na cama, ou com uma rosa roubada do jardim da casa vizinha. Eu deixaria um recado sutil de amor na porta da geladeira antes de sair na segunda de manhã para visitar meus pais. Poderíamos até ter um cachorro. Poderíamos, juntos, levar ele para passear. E você decidiria pintar a casa, e ela ficaria vazia, apenas com nós dois e nosso cachorro. Deitaríamos no chão, e eu perguntaria em que você estaria pensando. Você mentiria e me perguntava o mesmo. Eu mentiria. Eu iria para a universidade todo dia de manhã, enquanto você ia para seu trabalho de meio turno em uma empresa de sucesso. Você me amaria, em silêncio. Eu também te amaria, em silêncio. Em alguns anos, eu estaria me formando em letras, e você estaria no topo da carreira naquela mesma empresa. E você me levaria pra jantar e me pediria em casamento. Eu aceitaria. E seria uma linda história de amor. Apenas seria.


[ http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=95960080 ]

segunda-feira, 8 de março de 2010

Ao sexo frágil, todas as flores





Causa e consequência dos meus textos.
Motivo das lágrimas e dos sorrisos, da espera e da despedida, da saudade e da lembrança.
Quem me deu vida, quem me dá vida e por quem eu dou a vida.
Faz me sentir vivo. Faz-me feliz. Faz-me esperar o dia seguinte com medo de que não esteja lá.
De quem falo com alegria, com admiração. De quem não consigo guardar rancor.
A quem adoro ver dançando, sorrindo, curtindo. De quem gosto de secar as lágrimas, e quem não gosto de ver chorando.
Quem eu protejo, tenho ciúme, trato como filha, mãe, amiga, amante, amada. Quem eu quero pra sempre do meu lado. Quem não posso viver sem.
Perto de quem me sinto maior e melhor, e às vezes menor por não ser tão bom quanto. Quem me faz esperar um dia após o outros, e pensar no futuro como um passo certo.
Quem me deixa ansioso pelo reencontro, e agoniado com um possível último encontro.
Quem me deixa com medo de nunca voltar a ver, nunca mais sentir aquele monte de emoções que se misturam e se sobrepõem, me tirando do chão por uns instantes, que me faz sonhar, me faz acreditar, me faz crescer e me faz muito feliz.
Às mulheres que fazem parte da minha vida, mais do que desejar um dia feliz, quero agradecer por terem me dado a oportunidade de fazer parte de suas vidas. Vocês são a causa e a consequência de tudo isso, de tudo o que sou.
Não é que eu sempre lembro: eu nunca esqueço.

Voltarei pra você (1)



[ Volveré junto a ti ]

Voltarei pra você apesar desse orgulho
Voltarei porque sei que não posso escolher
Recordando agora dias de outra dimensão
Frequentando bares onde tu estarás
Repetindo gestos e palavras que perdemos
Voltarei pra você como quando me fui
Pois diga se estás disposta a tentar
De novo comigo, um longo caminho
Se ainda é você, se agora sou eu
Como uma canção sincera e nova
Pois diga se estás, se posso encontrar
Nosso passado em teu olhar
Teu olhar...
Voltarei pra você pois te disse e te quero
Voltarei pra você para sempre, até o fim
Voltarei porque em ti ficou parte de mim
A respirar o ar limpo de tranquilidade
A reencontrar teus braços firmes outra vez
Não sentir-me sempre frágil como fui
Pois diga se estás disposta a tentar
De novo comigo, um longo caminho
Diz-me se ainda é você
Se agora sou eu
Aquelas canções tuas, nossas
Pois diga se estás
Se posso encontrar
Nosso passado em teu olhar
Já não posso escolher, voltarei pra você

segunda-feira, 1 de março de 2010

Eu não quero falar disso



[ I don't want to talk about it ]

Posso ver, meu olhar certamente vai chorar para sempre
As estrelas lá no céu não são nada pra mim sem você
Eu não quero falar disso, seu amor acabou
Se você não vai continuar aqui comigo
Se agora nossa história terminou
Se eu ficar mais sozinho, todas cores do meu mundo vão sumir
Azul, do meu pranto
Negro, da minha noite
Sem estrelas no meu céu
Não é nada pra você, você nem liga
Eu não quero falar disso, seu amor acabou
Se você não vai continuar aqui comigo
Se agora nossa história terminou