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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Como se faz (Come si fa)



Me alegro e digo que
Imaginava só nós dois
E como que não me é
Permitido ter você
Sempre foge e nunca sei
Se seu olho me reflete
E por ti eu provarei
O resto eu te darei

E uma coisa cresce em nós
Num minuto telefono
E embora não diga que
Há tanto tempo te imagino
Volta e não sei dizer
Se me queria com você
Que poderia me levar
É que este peito aqui não sabe

O que se faz com seu adeus
Seu próprio medo, meu amor
E penso em ti, você em mim
Que fim estranho esse nosso

Como se faz pra dar-se vida
Pra essa lua neste dia
Que te atormenta e te mata, solidão
Noites vêm de lá

E uma coisa sabemos nós
Como um filme de melancolia
Quanto amor ainda te darei
Quanto amor há me dado a vida
Pra que eu não sofra mais
Extrapola a fotografia
Que esse fim de nós dois
Mata o mais fundo do meu ser

Como se faz, dizer adeus
Pra retomar nosso caminho
Porque pra mim é um absurdo
Solo de felicidade

Como se faz, não diga assim
Pode naufragar meu coração
Eu caio lá de frente a um cipreste
Peço que não se vá pra longe de nós

Como se faz pra dizer adeus
Se o próprio avesso é o meu fim
E penso em ti, você em mim
Que fim estranho esse nosso

Me diga como se faz, se disse adeus
Eu estou só, meu grande amor
Perco você, você a mim
Porque me larga aqui à sorte

Como se faz, amore mio?

Queria que soubesse que
Eu pensava em nós dois
Um amor imenso que
Chegaria num dia
E não findaria mais

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Amor infinito (Amori infiniti)





Mente que fica comigo
E quer esse amor que
Assemelha a ti
Uma história
Mas a distância que vem
Essa adversidade
Eu te sonho e não chego
Sempre um pouco de mim
Um presságio que tira e põe a manhã triste
Um convite a mim
Já que não te pertenço

Mesmo que fale comigo
É esse amor que
Há um século inteiro
É um milagre
Não importa por que
Sorridente te juro amar
É evidente que siga
Mas te levo no olhar

E uma volta que dou
Eu recordo o seu jeito de olhar
Eu te sonho de novo
Persistindo na vida
Um amor profudo porque
Dentro de mim
Um amor inteiro porque
Sabe tornar-lhe
Uma volta da lua
Com esse amor infinito
Te peço mais nada

E sempre penso em você
Sempre penso e não sabe
Com esse amor que há
É tão grande pra mim e pra ti
E se agora é assim
Não terá fim jamais

A noite passada você veio me ver




A noite passada você veio me ver. Foi uma cena comum, mas impossível nos dias de hoje. Vendo suas fotos é até estranho. Tem hora que parece que você não vivia ali comigo. Mas é só as lembranças voltarem e uma lágrima se forma por trás dos olhos pretos. Não chegam a cair, mas sinto que muito de você ainda guia meus dias.
Já não temos o tempo de nos ver o tempo todo. E sempre me pego ouvindo de novo seu latido grosso. Lembra? Aquela foi a última vez que te ouvi. Você não falava muito já fazia muito tempo, e também não gostava da companhia do outro. Mas lembro também da última vez que você brincou com ele. Tudo indicava que estava tudo tão bem, que estava alegrinha. Foi assim que você quis uma última dose desse mundo? Um último banho, uma última refeição, um último pote de água, uma última brincadeirinha pra nos alegrar, um último latido pra ecoar por toda a vida pela minha cabeça? Como se precisasse de qualquer dessas coisas pra você se tornar eterna...
No sonho estávamos na sala lá de casa. Você deu o pulinho, colocando as patinhas da frente no sofá. Comecei a te fazer carinho. Fazia tanto tempo que não sentia seu pelo que foi até estranho te sentir de novo. Encontrei um pelo seu no carro outro dia, sabia? Caramelo com brilho de ouro, sob o sol que tanto te encantava. Aí então o Tevez chegou e eu mandei ele sair dali. Nunca fiz carinho nele quando você estava perto, sabia? Queria que você soubesse que era única, pra não sentir ciúme desnecessário. Se soubesse o quanto te amo e o quanto faz falta pra mim, você nem cogitaria a possibilidade de ser trocada por qualquer coisa ou por qualquer outro.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Eu vou levando a vida, a vida me levando



Mas apesar disso tudo, ou por conta disso tudo, é certo que a vida continua e tudo volta naturalmente pro seu devido lugar. Não tem lágrima que o vento não seque, e não tem sorriso que uma lágrima não leve. Não tem dia triste que dure pra sempre, nem dia feliz que o sol não entregue. Afinal, decidir se o dia vai chegar, se o tempo vai passar, não depende de nós aceitar. Não depende de nós entender uma partida, uma nova vinda ou o fim da vida. Nem tudo é culpa nossa, e não há nada que eu não possa, que eu não consiga, que eu não persiga. É certo que tudo tem seu tempo, e que cabe a cada um de nós tornar eterno cada momento. Mas se assim não der, se eu não puder, que venha como vier, mas venha. Se eu não esquecer, se não mais puder viver, que brilhe como bilhar, mas viva. No fim, o amor que se recebe é do tamanho do amor que se dá. E que o saldo seja que não importa o que passei. O importante é que emoções eu vivi.


Aprendiz dos mistérios da vida



Em tom de despedida
Abate o coração
Assim termina a vida
Numa triste canção

Sangra forte a ferida
E cessa a pulsação
Com a alma sofrida
Encerra esse verão

E fica assim, vai e vem
Como o clarão da lua
Só, mas não me convém

Choro a partida sua
Me vejo sem ninguém
Sobra saudade tua

Sou um sujeito meio tímido



Sorriso bonito, olhar de quem sabe um pouco da vida. Não tudo nem muito. Uma coisa ou outra sobre o começo e o fim, mas do recomeço, bastante. Quem me vê rindo assim nem sabe dos quilos que perdi nas despedidas pelas quais passei. Quem me vê rodeado de gente não sabe que os amigos que tenho hoje são os raros que sobraram de turmas imensas com quem eu andava na adolescência. Quem me vê andando com essas pessoas não sabe que foram elas que me acolheram quando eu não tinha mais nada nem mais ninguém. E quem me vê sorrindo, mal sabe como tenho dificuldade pra falar com as pessoas. Principalmente desconhecidas. Principalmente mulheres. Principalmente mulheres desconhecidas. A mesma timidez que me bloqueia as palavras faladas me faz colocar as escritas aqui. Ainda se tivesse a mesma habilidade...


Não gosto muito de política



Não me interesso por esses assuntos. Nem aqui nem em qualquer lugar do mundo. Não é minha praia. Não dá. Não sou pra isso. Não quero nem pensar se seria falta de capacidade, porque nesse país não precisa de capacidade nenhuma pra ingressar na política. Dom? Vocação? Não quero nem pensar nisso. Sigo a vida, finjo que voto, eles fingem que contam os votos, fingem que governam, fingem que não roubam.
Não gosto desse ambiente. Talvez desse um bom político, um bom governador, um bom ditador, imperador. Mas sozinho? Se ainda pudesse levar minha corja, conseguiria limpar um pouco, ou pelo menos deixar limpo por algum tempo.
Não. Melhor não. No máximo governar minha vida. E talvez influenciar e limpar outras. Disso sim eu gosto. A vida me levando.


Eu creio em disco voador



Tenho esse péssimo hábito de ainda acreditar que uma semente plantada aqui pode florescer mesmo. É difícil, pra não dizer impossível. Mas gosto de acreditar nas coisas impossíveis. Elas me atraem! Gosto dos riscos calculados, dos planos ousados. Gosto de pensar que crescer e voar é uma experiência única e de realizações pessoais ímpares! Gosto de pensar no passado como o tempo em que tudo começou, e não como quando tudo se perdeu. É de lá que eu vim. Isso tudo que está aqui agora é reflexo dos planos lá de trás. Ou colho os bons frutos ou administro as pragas na plantação. É assim que funciona. E não tem como pensar em 10 anos à frente sem analisar os 10 últimos anos. A vida é um espelho: o que recebemos depende do que enviamos. E por que não há de ser assim com o tempo também? Se tudo segue uma lógica... Fica assim, então. Com a cabeça nas nuveus e o refrãozinho que eu mais gostava quando minha espera era uma agonia: não vou me cansar, eu vou te procurar em outro planeta.

Eu gosto de andar sozinho



Nunca me incomodou deixar o pensamento correr solto durante uma caminhada longa, sozinho. Minha música no ouvido, sempre uma batida calma, romântica. É nessa hora que digiro todos assuntos pendentes, fatos do passado, planos do futuro. É nessa hora que imagino novos textos, revivo antigas emoções. Sombras do vale, noites na montanha, que minha alma cantou e amava tanto. É nessa hora que as coisas normalmente passam a fazer sentido pra mim. É nessa hora que eu me olho de cima a baixo, de fora pra dentro, critico todos meus erros e defeitos, e reconheço, com muito custo, uma ou outra qualidade. É nessa hora que permito ser tudo aquilo que eu gostaria de ser.

Feche seus olhos e durma bem



Aos poucos tudo que lembrava você foi sumindo da minha vida. Algumas coisas foram embora naturalmente, enquanto outras eu ia tirando conforme tinha coragem de apagar aquelas lembranças suas.
Lembro até hoje a primeira vez que me vi lembrando de coisas que eram nossas, e que sem querer eu esqueci. Lembro também de ir tirando, aos poucos, tudo que lembrava você de tudo que estava ao meu redor: sua foto no meu computador, a escova de cabelo deixada de propósito no carro ("vai que um dia eu preciso?") e outros detalhes da sua presença no meu quarto.
Sabe aquelas manias que sem querer a gente vai pegando? Aqueles jeitinhos diferentes de fazer as coisas, só porque ela fazia assim e a gente achava o máximo tudo aquilo? Tem algumas que eu ainda tenho, fazem parte de mim, e eu nem lembro que aprendi com você.
Tinha os passos de dança, os nossos locais preferidos, as músicas que dedicamos um ao outro, os presentes que ganhamos e usávamos o tempo inteiro... Agora eu passo em frente a tudo isso, vivo e ouço essas coisas, e nem me lembro mais que era a sua marca, não vejo mais você ali, e nem lembro mais que eram coisas nossas. Tudo apagou, tudo sumiu. Às vezes é até estranho, porque algumas coisas daquela época não existem mais hoje em dia, elas existiram enquanto nós existimos. Ou eu perdi o contato. E nas raras vezes em que elas reapareceram, é como se fosse um pedacinho daquele tempo que faltou apagar. Mas também, era tanta coisa, que nem todas aquelas lágrimas poderiam ajudar...
As músicas que me faziam lembrar de você ou eu não escuto mais ou não tocam mais. De algumas os cantores nem existem mais. O mundo está dando um jeito de apagar o que ainda restava e que não dependia de mim destruir. E, sabe? A menina daquelas músicas nem existe mais. Aqueles versos, hoje, são pra alguém imaginário, um amor que alguém idealizou mas que nunca existiu mesmo. Essa música está distante... Só alguns versos do refrão ainda lembro... Versos que fazem meu coração bater diferente, e umas sensações antigas... Nada mais existe, mas tudo parecia muito real...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Careless whispers



Rasguei nossa última foto. Esqueci seu último olhar. Essa foi a última vez que pensei em você. Esse foi o último dia que sua presença foi real pra mim.
Aquele último dia ficou gravado e marcado em mim durante muito tempo. Aquela última semana me matou por dentro, e suas últimas palavras me deixaram muito pior. A noite seguinte, então, ficou muito maior. O domingo seguinte não foi melhor. Eu chorei. As primeiras lágrimas caíram rasgando meu rosto, cansado pela semana que antecedeu o nosso fim. Cansado de tentar te convencer do contrário, de imaginar uma alternativa para o que estava prestes a acontecer. Sem defesa para a morte que me esperava com dia e horário marcado, sem nada que eu pudesse fazer. Só caminhar ao som das horas, quando o carrasco do tempo finalmente soltasse a corda. A corda que não dei no relógio no dia seguinte, não querendo acordar com medo de que aqueles espectros do pesadelo fossem reais. Acorda para uma realidade já definida e arquitetada, com dia e ano para acontecer. Plano meticulosamente traçado, que me derrubaria da forma como eu gostaria que acontecesse. Mas não o quê eu gostaria que acontecesse. Não pra mim. Não pra alguém que tinha acabado de aprender a rimar palavras em versos sem métrica poética, mas mesmo assim poético. Será que é esse o fim de todo poeta? Será então que a poesia retrata o amor que morreu, e assim todos estes escritores morrem sozinhos porque tiveram o dom de detalhar o fim com palavras lindas, em estrofes perfeitamente aprumadas?
Era tudo tão real que eu me recusava a aceitar. Meus olhos não tinham visto ainda tal semelhança na natureza. Prometo não copiar mais versos, assim como prometi que nenhuma lágrima mais cairia. Não valem palavras soltas pelo espaço do céu da boca, soltas num grito de dor, no silêncio de um whisky, numa noite fria, de um céu sem estrelas. De uma vida que perdeu o brilho quando a estrela dos palcos correu prás cochias, a cortina se fechou e todas as luzes se apagaram. E nunca mais voltou. A cortina não mais se abriu e a bailarina sumiu naquela noite. Talvez tenha ficado com vergonha do passo que errou, que ninguém percebeu. Talvez tenha ficado tímida. Talvez não tenha gostado das fotos. Talvez tudo tenha sido uma peça de teatro, com seus atores, suas máscaras, suas fantasias. Talvez tenha sido num picadeiro que eu te perdi. Por não ter entendido a mágica do circo, ou a farsa do palhaço. Por não saber dançar. Por só saber te fazer rir. Pela ausência do sorriso nas suas últimas palavras, no último palco, nas minhas últimas palavras da sua última dança.
Hoje a última rosa vermelha morreu. Hoje o anúncio do último suspiro veio como uma pontada em meu peito. Como se um espinho tivesse sobrado no caule, que eu não vi.
Talvez tenham sido espinhos que não vi que te machucaram durante tanto tempo, e você tenha usado palavras macias como o veludo das pétalas para dizer que, no fim, quando o amor acaba, um espinho esquecido espeta mais do que a suavidade das pétalas pode curar.