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segunda-feira, 30 de março de 2009

Vento noturnal



Ouvi sua voz gritando e acordei correndo.

É só o som dos meus tristes ais. É só isso, nada mais.



Te procurei por toda parte, na bagunça instalada em minha casa. Nada está como eu deixei, na última vez em que estive aqui.
Passei por lugares onde estivemos, e o silêncio tomou o lugar de onde antes tinha muitas risadas em voz alta. Eu vi o nosso banco vazio, e as palavras que entalhamos na madeira com a chave de casa, e lembrei da sua mão no meu cabelo, e a promessa de que tudo seria para sempre, sem se importar que o pra sempre nunca dura pra sempre.
Eu vi os faróis vermelhos, e um outro carro parado no meio da rua, exatamente no lugar em que estivemos parados naquele dia, ouvindo seu DVD, na música que eu mais gosto, e você me dando um sorriso aberto, um sorriso incerto, como se a incerteza do recomeço tivesse ido embora, e continuar a vida fosse só uma questão do semáforo abrir e eu acelerar rumo ao seu coração.
Tinha também aquela nuvem branca, e eu lembrei da poeira levantada pelos pneus naquele dia, naquela noite de chuva, escura, e o barro batendo na lataria. E o dia de amanhã que nunca aconteceu.
Depois disso, o que eu lembro é de estar escrevendo e ninguém lendo.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando, Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais. Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita, E a única palavra dita foi um nome cheio de ais - é só isso e nada mais.

domingo, 22 de março de 2009

Feito corpo e alma



Sei que a tristeza bate fria e lancinante. Sei que uivos prá lua são sinais claros de desespero, de uma mente atordoada, de um corpo cansado, de um coração que não sabe mais o que fazer com as noites que ficaram mais compridas. Sei que sente fraqueza, que se sente impotente e pequena demais diante de tudo. E tudo é sempre muita coisa. Sei que há lágrimas onde antes havia rímel.

Algum tempo atrás, quando eu era menor do que sou hoje, bem menor, não me passava pela cabeça, sei lá, pensar em nós. Agora eu sei. E entendo tudo muito melhor. Em cada estrela, vidente, eu li, auroras e cometas cruzando o espaço, tirando os pés da terra. Vai por mim.

Ao seu lado sempre vai me encontrar, em cada tempo difícil que aparecer. Porque, hoje eu sei, gente assim não é pelas horas da vida que se encontram ou que se produzem. É em sonho que aparecem, são trazidas por um prelúdio orquestrado. São estrelas criadas por notas invisíveis.

Porque gado a gente marca, tange e mata, mas com coração de gente é diferente. Vai por mim.

E eu vou ficar aqui da mesma forma como quando fui, como uma ponte sobre a água turbulenta, pra cuidar da história do passado, e da história que há por vir. Pra cuidar de você, vou ficar aqui.

Nesses momentos em que a solidão bater mais forte do que as costas podem aguentar, e o coração cansar, vai por mim, minha amiga. Vou sempre estar aqui. Conta comigo.

Sei que ainda vai cair, e que vai ter dificuldade pra levantar. Sei que vai andar pelas ruas e lembrar de um cantinho em que o abraço durou até o sol nascer. Sei que um fim de tarde vai tirar a alegria de uma conquista não compartilhada.

Haja o que houver, eu quero estar nesse mundo. Eu quero ver sorrisos e conquistas, e quero comemorar cada vitoriazinha suada, cada troféu levantado, cada moinho de vento derrotado. Por mais que pareçam pouca coisa.

Sei que a escuridão pode dar medo, e a dor demorar muito pra passar. Eu fico, porque sou uma ponte sobre águas turbulentas. O mundo pode até te fazer, me fazer, chorar, mas eu quero sorrisos.

Feito corpo e alma.

E chorando como um órgão fica meu coração, com o vento noturnal. Continue a nadar, mon amie. Essa é a hora de brilhar. As flores exalam seus perfumes numa tarde que não tinha fim. Você vai estar aqui, amanhã, e seus sonhos devem estar também. Olhe todas essas gotas caindo, veja como brilham. E as areias do tempo, elas não param pra ninguém.

A vida tem aprontado demais e tá difícil de aguentar. Que venha o que vier. Na dor, a tristeza é dividida. Se Deus deixar, vou sempre estar aqui. E peço que Ele tome conta de você enquanto eu mesmo não puder fazer isso. Vou sempre estar aqui.

Navegando por mares abertos com ondas tão grandes e monstros por toda parte. Essa névoa escasseia a visão que, tomada por uma fúria de torpor, e pela dança sublime da maré que joga o barco contra meu próprio coração, é desse ponto que recomeço.

E, já que um dia montei, agora sou cavaleiro.

De um reino que não tem rei.

Laço firme, braço forte.

E, se tanto gado, tanta gente, pela vida segurei, agora o rei sou eu.

Vou sempre estar aqui. Vai por mim

Conte comigo.

Confie nessa ponte, pra enfrentar as águas turbulentas.

Vou sempre estar aqui. Vai por mim.

sábado, 21 de março de 2009

Parte escura




Era começo de estação quando aquela manhã cinzenta e enevoada, de ar gélido, estreou o primeiro dia. Abriu os olhos devagar. As pálpebras pareciam pesadas demais pra ficarem levantadas, e ainda dava pra ver as marcas do dia anterior nas olheiras estampadas num rosto cansado. Puxou a coberta e a abraçou forte, virando de lado, como se fosse um jeito de desejar que aquela quinta-feira se transformasse em sábado. O despertador tocou logo em seguida, anunciando 6:30, e parecia que cada apito comia um pedaço da cabeça, que doía o gosto amargo da incerteza. Virou de lado e levantou o corpo. O chão estava frio. Não mais que a frieza que sentia por dentro. Onde foi que tudo se perdeu? E o que aconteceu ontem à noite pra tudo estar assim? Por que as noites têm que trazer essa carga de tristeza emocional, e por que tudo dói tanto por dentro assim? O que fizemos de tão errado pra hoje não sabermos de nada? Olhou-se no espelho e não reconheceu o rosto que o encarava. O que tinha acontecido? Será que é o mundo que mudou tanto essa noite ou são as coisas como estão? "Não sei, estou muito cansado pra pensar agora. Me deixa sozinho, preciso ficar sozinho. Tem uma gritaria na minha cabeça, eu preciso calar essas vozes, senão não consigo nem me ouvir." Que assim seja, então. Que seja vida, enquanto ouvir um mínimo de esperança de que as coisas sejam como deveriam ser. Agora não é hora de mudar. O que está feito, está feito. Não é o caso de olhar pra trás, nem ao menos mirar um horizonte muito longe. É hora de rearranjar as coisas. De colocar os livros na prateleira, em ordem alfabética, por ordem de tamanho, como melhor convier. Não importa tanto, na verdade, alimentar um TOC agora. Perder-se entre um pensamento ou outro, ou alguma lágrima que traga de volta um sorriso bom. E daí se alguém olhar torto na rua, porque tem um sorriso tímido e um olhar perdido no seu rosto? Todos têm uma história triste no amor. Não seria a primeira nem a última vez. Mas quem sabe lá na frente, do som das horas ou histórias desde o amanhecer? Histórias inventadas e piadas velhas. Não há nada que mude o visual triste desse dia que acabou de começar, e não tem expectativa nenhuma de que uma ligação ou um post cinza no blog tire a dor que já toma o corpo inteiro, e a semana inteira. Mas olhe o céu, olhe tudo que você conquistou. Olhe pra dentro de você. Eu já fui como você, já estive desse lado. E o meu silêncio foi maior que toda aquela noite, e todo o dia seguinte, e a noite seguinte... E por uma semana não falei mais nada, apenas pensei, pensei no que fazer, no que dizer, como viver... E aí eu mudei.
Não sei quantas lágrimas vão cair ainda, e quantas fábulas vou escrever até o dia em que vou ver meu mundo de novo na minha frente, me olhando com um sorriso, como se estivesse ansiosamente me esperando esse tempo todo. Com a certeza de que isso é a realidade, e que esse caminho é só uma passagem passageira pra outro mundo, despeço-me sem dar minhas costas, mas sumindo por aquele corredor escuro.
E que tenha vida a vida que vier.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Poeira da estrada




Se tens agora o coração cheio de medo, leia a minha história. Talvez em alguma entrelinha esteja escondida alguma solução para o problema de alguém em algum lugar do mundo.
Prepare sua alma e feche os olhos. De onde eu venho tem muita poeira e pouco asfalto. Trago no calcanhar as marcas de muita correria. Tenho no coração porteiras fechadas e mataburros que não deixam qualquer um se aproximar. Eu vim lá daquele interior, que muitas músicas já chamaram de sertão. E por isso talvez eu não vá te agradar.
Com o tempo pessoas entraram e saíram da minha vida numa fantasia de que o espaço entre uma ida e uma volta era só um tempo curto, passageiro, necessário, que logo se findaria. Com tantos espinhos aprendi a dizer não e encarar a morte com frieza, encara-la sem chorar. Pois a morte é o destino de tudo. A morte, mesmo que não seja por morrer, é o destino de tudo. Eu vi muita coisa fora de lugar, por causa da morte. Eu vivia pra consertar.
No meio de tanta gente, tantos rostos bonitos e tantas pessoas elegantes, eu fico escondido e despercebido, às vezes maltratado por atrapalhar o caminho. No meio daquela boiada, um boi a mais é só um animal que não chama a atenção. Na boiada eu já fui esse boi. E de tanto consertar as coisas que a morte provoca, um dia montei. Não por um motivo meu ou de alguém que ali me colocasse. Ou por qualquer sentimento que me fizesse fazer brilhar os olhos de um desses bois pegos pela morte, mas talvez por necessidade de montar, de deixar de ser um boi, de ver outros bois montarem. De uma vacada cujo vaqueiro morreu.
E assim por muito tempo boiadeiro, com laço firme e braço forte, pero sin perder la ternura jamás. Muita morte, muitas lágrimas, muito gado, muita gente pela vida arrastei. A vida seguia como num sonho, e o boiadeiro se sentia um rei...
Roda mundo, gira vida, e o tempo foi passando, e o mundo foi rodando, as estradas correndo, o vento rugindo, o sol escapando, a lua pegando fogo, pelas patas do meu cavalo e, nos sonhos que eu alimentava e fazia crescer, clareava visões, e a minha visão ia se clareando, tão claro, tão certo, tão alto, até que um dia eu acordei.
Então não pude mais seguir. Pois de um valente, em lugar tenente, dono de verdades, de gado, de bois e de gente, sabe-se que gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata. Mas com coração de gente é diferente...
Talvez você não entenda, não aceite, não veja motivo, razão, lógica nenhuma no que eu falo, no que faço. Talvez queira me seguir, ouvir minhas palavras e cada nota que o coração bate. Mas, se você não concordar, não cabe me desculpar, não é questão de me desculpar. Não escrevo pra enganar. Vou pegar minha viola, vou deixar tudo aqui, e vou cantar em outro lugar.
Naquela boiada eu já fui só um mais um boi. De boi, passei a boiadeiro e, de boiadeiro, já fui rei. Não fiz nada disso nem por mim nem por ninguém que, no momento, se apoiasse em mim. Que quisesse, ou que pudesse, dar algum valor pra palavras tão tristes. Que desse valor a sentimentos tão seus, tão iguais aos meus. E, por conta disso, querer ir mais longe que eu.
Mas o mundo continuou rodando, pelas patas do meu cavalo fui embora. E, já que um dia montei, agora sou cavaleiro. De laço firme, braço forte e coração brando. Num reino que não tem rei.

sábado, 7 de março de 2009

Saudade



Um dos textos que tive o prazer de ler quando era mais jovem. Não sei quem é o autor, de qualquer modo, está entre aspas e em itálico.

"Em alguma outra vida, devemos ter feito algo muito grave, para sentirmos tanta saudade...
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam- se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia. Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada, se ele tem assistido as aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua preferindo suco, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor.
Se ele continua cantando tão bem, se ela continua detestando o McDonald's, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como freiar as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler..."

sexta-feira, 6 de março de 2009

So, live and let die




Uma das coisas mais difíceis da vida é ir embora querendo ficar. Isso fica muito pior de aceitar quando se veem os planos ruírem e todo diagnóstico aplicado não surtir efeito.
Eu tenho uma história de um grande amor que não pôde existir. Eu tenho histórias do tempo em que eu vi minha história cair bem na minha frente, como se tudo que eu soubesse e aprendi fosse um grande mar de inverdades. Eu vi meus esforços anulados, e eu vi uma porta que nunca me foi aberta.
Eu não vi sorrisos, não vi esforços pra esses sorrisos aparecerem. Eu vi nossos esforços em conquistar esses sorrisos. Eu vi muitos planos quebrados, planos para que os planos dessem certo. E eles nunca foram suficientes.
Eu vi um eu lutando pela vida como se luta quando tudo que se quer é fazer alguém feliz. E eu nunca faço promessas que corro o risco de quebrar, eu nunca abro sorrisos com a intenção de molhá-los, eu nunca teria criado confiança se eu quisesse quebrá-la.
Eu não teria falado e feito nada contra minha vontade, se não fosse primeiramente por amor a mim. Assim foi quando falei "por toda a vida" e assim foi o que fiz incansavelmente quando cantei que não desistiria tão fácil assim de você. Mesmo quando a última porta de esperança tinha se fechado, quando da última janela não soprava mais nenhum vento que inspirasse alguma possibilidade de que as coisas poderiam ser diferentes, continuamos nosso caminho.
Mas as pedradas foram mais fortes. Puxaram nosso tapete, sofremos com traição e até me convidaram para uma disputa injusta demais. E eu não participo de disputas assim. Nas disputas que eu entro, minhas armas ficam no coração. Não tenho por objetivo destruir. O que sempre me esforço para conquistar é a confiança e o respeito por onde passo, mesmo que esse segundo não tenha se consolidado até hoje. Não faço papel do que não sou. Não sou ator. Sou genuíno, falo o que penso, faço o que sinto, e é assim que as pessoas me veem como um bom moço.
Eu sei a dor que se passa aí, e sei dos quatro estágios que virão em seguida. Eu já estive do outro lado, sei como é difícil manter a calma quando algo está se passando. Mas grandes planos exigem grandes sacrifícios. Se o grande plano é a sua felicidade (e o meu sempre foi a sua felicidade), e eu não estou nesse grande plano, desculpe, meu amor, mas não posso atravessar um caminho prétraçado pra você, no qual não estou incluso.
Eu não sei quando você vai ler essas pelavras que são só suas, não sei quando você pretende me dar ouvidos novamente. Mas quando isso acontecer, volte a ler esse pedaço de paraíso que criamos para nós, e você vai entender que toda história tem sempre mais de uma versão. E essa é a minha. Talvez você encontre respostas para algumas coisas que você não entenda.
A principal resposta que eu espero que um dia você entenda e aceite de vez, é a que nem nessa despedida absurda alguma coisa foi feita pensando em nós dois. Como eu prometi, é a sua felicidade que me valeu. Se alguém nos privou de sermos felizes, de não estamos juntos, hoje, não é culpa nossa. Se não tenho ânimo pra levantar, se me sinto, hoje, derrotado, não é por falta de esforço seu, não é por falta de força minha. Se hoje a lágrima rola salgada, é porque alguém escolheu como você deveria ser feliz, e esse alguém não sou eu e não é você. São forças maiores do que eu posso enfrentar, são prioridades maiores do que eu posso suportar. É uma guerra da qual não vou fazer parte. Não acho justo te deixar no meio desse fogo cruzado, por isso preferi deixar o caminho livre para que você seja feliz do jeito que querem que você seja, não do jeito que sonhamos em ser. Espero que, quando perceberem que te fizeram perder sua felicidade, não seja muito tarde. Fizeram-nos acreditar que era assim que seria a vida, que, se quiséssemos vida, seria assim. Só não disseram que, nesse sonho de vida, alguém teria que morrer. E não avisaram que esse alguém seria eu.
Tudo isso você já sabe. O que você não sabe é que eu saí pela porta que nunca me foi aberta. Mas se essa porta um dia se abrir pra mim, se um dia os olhos (não os nossos) se abrirem pra dois sorrisos (os nossos) pode ter certeza que volto pra te fazer feliz, como te prometi, como disse que seria por toda a vida. Como fizemos lá no começo, em que nossa história era nós dois que fazíamos, só nós dois. Num tempo em que as escolhas eram nós que fazíamos. Se um dia tivermos liberdade para sermos nós dois, se um dia nos derem a confiança que precisamos para voarmos alto de novo, pode ter certeza que estarei te esperando com a mão estendida, e você vai ver, brilhando na minha aliança, meus olhos sonhadores. Sonhos completos de quem foi mandado embora, de quem nunca quis ir embora.

Eu não sei se acontecerá do meu sonho vida se tornar. Como aquele que faz meu coração brilhar nos olhos quando te vê...
Eu não sei o que acontecerá se o meu sonho se realizar. Como aquele que é paixão que o tempo não consome. Se acontecer... Se acontecer continuarei a sonhar um pouco mais...
Será... será... agora. Será... será... assim: como olhar de fora, como mergulhar no som das horas sem medo algum. E tu... E tu, minha vida, verás que logo eu vou voltar de onde um dia eu te perdi.
Sei que um dia você vai mudar e o que hoje não passa, vai passar. Quero te dizer: vou estar aqui com nossas coisas. Tudo porque... Tudo porque continuarei a sonhar um pouco mais. Porque esse sonho é meu! É meu! Sonho que dorme no fundo do coração! Sei que não morrerá... O tempo, um dia, eu sei, me dará razão. Porque não morrerá! Digo enquanto te espero porque sempre acreditei!