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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

7 vezes você



A noite tinha mal começado e eu estava na rodovia. No rádio, uma música antiga me dizia "...uma estrada só é deserta onde não há paixão...". Poucos carros vinham contra, e alguns outros passavam por mim, com seus meio-faróis acesos. Eu não acendi o meu, esperei as estrelas chegarem. Estava indo rumo ao desconhecido. Era só uma desconhecida a mais, igual foram tantas outras. Que tem de mau? É só uma noite e nada mais. Ficava repassando mentalmente as nossas conversas, e todas aquelas risadinhas. "Liga a webcam?". Eu ficava esperando seu telefonema, sabia, quando ia pra São Carlos? Não dormia antes de você me ligar. E essa noite, será que você vai me ligar? Queria muito ouvir sua voz... Liga falando que tá me esperando... Às vezes a música até some, fico virtualmente surdo, ouvindo sua voz, vejo seu rosto e o cabelo loiro.
Vai ser só isso. É o que eu quero. É hoje e talvez uma vez na vida, dez minutos, nunca mais. Depois vou pro show e a vida continua em paz. Não tão em paz, acostumei com isso, com as andorinhas vindo e voltando com tanta pressa, com eu mandando e indo embora com tanta pressa, sem pressa de que as coisas se ajeitassem pra mim. É com essa mesma pressa que eu acelero agora, e acendo os faróis, pra chegar logo, pra ir embora logo. É assim que vai ser, tão cedo vem, tão cedo vai.
Cheguei naquela cidade e vi pessoas correndo. "Eu também preciso correr". Por ansiedade e pelo atraso. Demora não é pra mim, gosto de pontualidade. Sou metódico, gosto das coisas certas, pontuais, de acordo com tudo, com tudo que eu penso e imagino. Então se eu digo que vai ser isso e nada mais, é porque vai ser isso e nada mais.
E então eu estacionei. E dei passos firmes até aquela escadaria. Lá estava o cabelo loiro. "Sorriso discreto, Bruno, você não pode demonstrar muito". Aquela foi a primeira vez que eu vi pessoalmente aquele sorrisão que eu amo, aquela foi a primeira vez que aquele sorriso fez minhas pernas tremerem.
E já faz 7 meses...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Naquela noite



E naquela noite ela chorou. Durante o dia, o pranto também veio à tona, mas nada pode ser comparado com aquela noite. Naquela noite, as lágrimas vieram mais salgadas, vieram de um lugar que nunca antes fora tocado: o fundo do seu coração. Só uma pessoa pôde alcançar esse lugar, mas ele estava muito longe naquele momento.
Naquela noite, ela desejou saber se ele estava pensando nela. Desejou saber se ele estava como ela, ou se passava bem. Mas ela estava de mãos atadas, e a única alternativa viável era uma camiseta. Aquela camiseta tinha o cheiro dele, e com certeza o sofrimento tomaria proporções maiores ainda, mas isso nem passou por sua cabeça. Do mesmo jeito que ela agarrou a camiseta, ela se atirou ao sofrimento. Deixou que a dor tomasse conta do seu coração, que as lágrimas também molhassem sua alma. Quando ela abraçou mais forte a camiseta, sentiu que ela também estava molhada. Será que a camiseta também derramara lágrimas? Será que a camiseta tava chorando por raiva ou dó? Será que o rosto dele também estava molhado, sem as mãos dela para secar?
Naquela noite, ela começou a cantar. Começou a cantar baixinho, como se houvesse um ouvido bem perto dos lábios dela, esperando uma suave canção. Como se houvesse alguém ao lado dela, esperando incoscientemente ouvir aquelas palavras. Mas pra que? Não havia ninguém ao lado dela. Será que ela esperava que a camiseta sorrise quando fosse encontrá-lo novamente, e contasse que naquela noite ela cantara a música deles? Mas, naquela noite, a incerteza de que a camiseta o encontraria de novo, era muito forte e cortava o coração dela.
Naquela noite, ela dormir ou permanecer acordada era a mesma coisa. Quando adormeceu, teve os mesmos delírios que estava tendo antes de fechar os olhos. Pra ela, não fazia diferença nenhuma. No sonho, a dor, a camiseta, as lágrimas, a saudade ainda estavam presentes. No sonho, ainda continuou faltando a peça fundamental da vida dela: ele.