A noite tinha mal começado e eu estava na rodovia. No rádio, uma música antiga me dizia "...uma estrada só é deserta onde não há paixão...". Poucos carros vinham contra, e alguns outros passavam por mim, com seus meio-faróis acesos. Eu não acendi o meu, esperei as estrelas chegarem. Estava indo rumo ao desconhecido. Era só uma desconhecida a mais, igual foram tantas outras. Que tem de mau? É só uma noite e nada mais. Ficava repassando mentalmente as nossas conversas, e todas aquelas risadinhas. "Liga a webcam?". Eu ficava esperando seu telefonema, sabia, quando ia pra São Carlos? Não dormia antes de você me ligar. E essa noite, será que você vai me ligar? Queria muito ouvir sua voz... Liga falando que tá me esperando... Às vezes a música até some, fico virtualmente surdo, ouvindo sua voz, vejo seu rosto e o cabelo loiro.
Vai ser só isso. É o que eu quero. É hoje e talvez uma vez na vida, dez minutos, nunca mais. Depois vou pro show e a vida continua em paz. Não tão em paz, acostumei com isso, com as andorinhas vindo e voltando com tanta pressa, com eu mandando e indo embora com tanta pressa, sem pressa de que as coisas se ajeitassem pra mim. É com essa mesma pressa que eu acelero agora, e acendo os faróis, pra chegar logo, pra ir embora logo. É assim que vai ser, tão cedo vem, tão cedo vai.
Cheguei naquela cidade e vi pessoas correndo. "Eu também preciso correr". Por ansiedade e pelo atraso. Demora não é pra mim, gosto de pontualidade. Sou metódico, gosto das coisas certas, pontuais, de acordo com tudo, com tudo que eu penso e imagino. Então se eu digo que vai ser isso e nada mais, é porque vai ser isso e nada mais.
E então eu estacionei. E dei passos firmes até aquela escadaria. Lá estava o cabelo loiro. "Sorriso discreto, Bruno, você não pode demonstrar muito". Aquela foi a primeira vez que eu vi pessoalmente aquele sorrisão que eu amo, aquela foi a primeira vez que aquele sorriso fez minhas pernas tremerem.
E já faz 7 meses...
Vai ser só isso. É o que eu quero. É hoje e talvez uma vez na vida, dez minutos, nunca mais. Depois vou pro show e a vida continua em paz. Não tão em paz, acostumei com isso, com as andorinhas vindo e voltando com tanta pressa, com eu mandando e indo embora com tanta pressa, sem pressa de que as coisas se ajeitassem pra mim. É com essa mesma pressa que eu acelero agora, e acendo os faróis, pra chegar logo, pra ir embora logo. É assim que vai ser, tão cedo vem, tão cedo vai.
Cheguei naquela cidade e vi pessoas correndo. "Eu também preciso correr". Por ansiedade e pelo atraso. Demora não é pra mim, gosto de pontualidade. Sou metódico, gosto das coisas certas, pontuais, de acordo com tudo, com tudo que eu penso e imagino. Então se eu digo que vai ser isso e nada mais, é porque vai ser isso e nada mais.
E então eu estacionei. E dei passos firmes até aquela escadaria. Lá estava o cabelo loiro. "Sorriso discreto, Bruno, você não pode demonstrar muito". Aquela foi a primeira vez que eu vi pessoalmente aquele sorrisão que eu amo, aquela foi a primeira vez que aquele sorriso fez minhas pernas tremerem.
E já faz 7 meses...


