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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Aqui é pequeno mas dá pra nós dois



Meu amor, a gente nunca teve tempo de conversar, nunca tive oportunidade de te falar, e você também nunca me perguntou de onde eu venho e pra onde estou indo. Bom, de onde eu venho não importa, pois agora todo o tempo ruim já passou. O que importa mesmo é pra onde estou indo, e essa estrada já dura muito tempo.
Meu amor, o que eu tenho é quase nada, não juntei tesouros, nem muitos amigos, mas muitas histórias e uma experiência que tem me feito forte. Foi tanta escuridão que hoje tenho o sol como amigo. Pegue suas coisas, só o que for necessário, não precisa muita coisa, e vem morar comigo. Uma casinha, simples, mas só nossa, vai ser o nosso abrigo. Faça isso, pegue suas coisas e vem morar comigo.
Aqui é pequeno mas dá pra nós dois. Se precisar, mais pra frente, se vier mais gente, a gente aumenta. Tenho uns textos perdidos, e umas poesias inacabadas, refrões de músicas que ninguém nunca leu, que eu nunca mostrei pra ninguém, tenho vergonha do que podem pensar se lerem. Mas nós podemos sentar no chão e ler juntos nas noites de lua. Lá tem uma varanda que é minha e que é sua, e se o sereno criar um clima a gente namora do jeito que a gente sabe, e dorme abraçado num amor sem fim.
Então, vem morar comigo?

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A um amor distante no espaço



Meu amor, que tão longe está, somente estas palavras te posso mandar. Escrevo pois não me sobra outra alternativa. Não vejo outro meio senão este, uma tentativa, talvez frustrada, de não deixar transbordar o que vem me acometendo. Cato palavras sem me preocupar com rimas ou aliterações, ou recorrer a qualquer figura de lingüagem que possa me atrapalhar. Falo de você, quando penso em falar de amor, e lembro da gente, quando o mundo aqui é só dor. Não porque se assemelha a você, mas de duas, uma: ou porque com você os minutos são a compensação de anos de tormentas passadas, ou porque ficar sem você dói, e dói demais, e dói por dentro. Eu sinceramente não sei como escrever, como descrever, nem como devo escrever. Me faltam as palavras certas, palavras cheias de significado do jeito que eu quero, do jeito que eu preciso. Faltam rimas ricas, riquezas repetidas que ressoam, rebatem, me abatem pela falta que fazem, pela falta que você me faz. Será que você pensa em mim tanto quanto eu penso em você? Será que, quando você pensa em mim, seu coração sente uma dor diferente, uma angústia de não conseguir expressar direito o que está sentindo, como acontece comigo? Será que você consegue entender do que eu estou falando? Somos tão [per]feitos um para o outro. E disso, sim, sei falar. De todas as certezas que eu tenho, do jeito que somos quando somos juntos, sei o que senti, o que sinto e, mesmo com tantas palavras faltando, sei que agora é diferente, apesar do clichê, dizer que amo você. Eu sabia que tinha que ser assim, desde a primeira vez que você deixou eu te chamar de "meu amor".