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sábado, 26 de abril de 2008

Sonhava como se sonha quando se sonha acordado



Venha como vier, mas venha. Não demore mais, eu já esperei demais. Pra quê adiar tanto a felicidade? Traga os nossos sonhos, e o resto do meu coração que você levou. A saudade dói e dói forte. Dói tanto que nem sei se é saudade, se é essa vontade misturada com o desejo de te ter em meus braços, de te olhar nos olhos, de ouvir "amor, que saudade".
Venha correndo, deixe tudo pra trás. Existe um mundo muito melhor do que esse que conhecemos. Eu vou fazer tudo de novo por você. Não existe limite pra onde eu quero ir, e tem que ser com você, senão esse mundo vai ficar só na imaginação.
Não posso continuar só sonhando. Sei que existe uma mínima possibilidade de que esta tarde não termine triste. Então volta, faz do meu mundo o seu mundo, e volta prás nossas manias. Traga essa risada que eu adoro e esse abraço que eu já chamei de "o melhor abraço que já ganhei". Não olhe pra trás. É um caminho sem volta e frio. Eu sei porque também não vou olhar pra trás, não quero que nada se repita de como foi. É um espetáculo novo, uma dança nova.
Venha com o vento, mas venha. O tempo corre depressa demais. Eu não sei nem como vai ser amanhã, mas quero que você esteja aqui daqui um ano, completando um ano ao meu lado. E vai ser o primeiro de muitos anos. Vai ser o primeiro do resto dos nossos anos. Se é um amor de verdade que você precisa, que você quer, venha.
Venha como vier, mas venha depressa.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Eu vou te buscar



Eu nunca aceitei a condição de não te ter só pra mim. Eu sempre esperei que você percebesse o meu jeito de te olhar, e as coisas que eu insisto em fazer sem você pedir, quase me passando por um chato ou inconveniente. A verdade é que a minha pele ainda não entendeu que a sua não está mais por perto.
Pra falar a verdade, eu nunca acreditei na idéia de ter alguém como você. E, depois, não acreditei que poderia perder alguém como você. Era pra mim como uma conquista, algo inimaginável que pudesse acontecer na vida de alguém.
Outro dia sonhei com você. Alguma coisa aconteceu, e você me ligou, como se eu fosse o seu porto seguro. Eu sei que acordei perguntando "Onde você está?". E aí percebi que nem você estava do meu lado nem eu dentro de você.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Quando



Quando eu tiver a chance de te ver de novo, vou jogar mil pétalas de rosa do céu, só pra te mostrar como a tua companhia é especial pra mim.
Quando eu tiver de volta as nossas coisas, eu juro que não vou mais deixar elas se separarem.
Quando eu puder olhar de novo no fundo dos teus olhos, negros olhos, vou tentar parar o tempo e guardar aquele momento pra sempre comigo.
Quando tudo se perdeu eu não imaginei que fosse o fim de uma era que me voltaria rasgando o peito como aconteceu nos últimos dias.
Quando tive a chance de te conhecer por dentro, deixei que o meu eu de dentro não encontrasse o seu, e assim nós nos separamos por anos.
Quando você se foi, levou sua estrela pro céu. É essa estrela que eu vejo quando não consigo dormir.
Quando não tive palavras, quando fiquei sem voz, acredite, era pelo medo de te perder.
Quando você voltar, vai ser tudo diferente. Eu tenho planos grandes pra nós dois. E eu só consigo ver você e eu neles.
Quando você voltar eu vou deixar tudo isso, todas elas, vou voltar a querer conquistar todo dia a mesma mulher.
Quando o nosso mundo reaparecer, quando eu puder ouvir de você a risada que eu adoro, nada mais vai importar.
Quando você e eu voltarmos a ser nós dois, seremos só nós dois pela vida, até que a morte nos separe.
Quando tudo isso acontecer, não vou mais precisar falar de improbabilidades.

Você vai ver



Quando esta porta se fechar vai ser o fim de uma era. Uma era que deixa saudades desde já. Eu juro que vou te guardar pra sempre no meu coração. Ainda é seu o melhor abraço que eu ganhei. Eu nunca vou te esquecer. Só não me peça pra falar de nós dois, isso eu não vou fazer. Agora que eu consigo lembrar de tudo sem ficar zonzo por isso. Mas pode ter certeza, agora tudo se acalmou. Ainda sinto um frio na barriga, às vezes, e uma certa ansiedade sobre o futuro. Não é mais com a sua lembrança. Agora eu estou encantado com uma nova, mas antiga, emoção. Você vai ver.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Escrevo como quando se escreve com saudade



É tão difícil como quando você se perde e não sabe como voltar, mas sente um forte impulso e uma vontade incontida de ter de volta tudo aquilo que você costumava chamar de seu. Corro como se corre quando não se quer mais um dia ruim. Vivo como se vive quando se vive a vida querendo ter uma vida ao lado de outra vida.
O caminho é tão tortuoso e eu não sei nem como chegar lá, como falar o que se fala quando se tem tanta saudade de alguém que pra isso você até esqueça de viver só pra você e acaba vivendo imaginando como seria a sua vida ao lado da vida de quem você há tanto tempo espera. Alguém que você esperou todo esse tempo mas não sabe se, ao chegar lá, seu retrato vai estar na parede como se ela também estivesse esperando que um dia, talvez, você se lembrasse de como vocês se querem e voltasse pra resgatar a felicidade que vocês perderam e nenhum dos dois sabe onde nem por que.
Aqui eu volto depois de tantos anos, já sabendo que não iria te encontrar. Mas eu precisava ver de novo o nosso nome desenhado nessa árvore que a gente chamava de nossa. Não me espanto ao ver as marcas já quase apagadas pelo tempo, afinal, já faz tantos anos, que nossas coisas foram se perdendo pelo caminho e a memória foi apagando as lembranças uma a uma, por considerar que não precisaria mais delas.
Eu só precisava te ver, te olhar por mais uns instantes, pra me enganar por um minuto ou dois que você estaria me esperando, como foram tantos meses antes de tudo acontecer. Não sei se vou ter coragem de falar o que preciso, o que está me matando aqui dentro, e que eu adoraria que você soubesse, mesmo sabendo que você pode rir da minha cara dizendo que aquilo não fazia sentido nenhum e que eu estava louco.
Pode ser que sim, toda loucura vem de algum lugar. A minha data de alguns anos atrás. É por isso, por aquele dia nosso, que ficou gravado na prata, que eu preciso fazer do passado o lugar onde tudo começou, e não a partir do qual tudo se perdeu. E só você pode me ajudar agora, porque você estava lá comigo e me fez entender que a vida não teria graça se fosse simples demais, ou se não fôssemos só nós dois, ali, e pra sempre.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Esses são seus versos



É até um pouco engraçado como as coisas são. Você e eu, tantos anos. Tanta coisa mudou, mas aquela essência, aquela identidade, parece que nunca muda. Eu não sou daquele tipo que consegue falar com facilidade o que sinto, ou explicar bem o que quero. E também tenho uma dificuldade muito grande em esconder essas coisas. Principalmente quando é com você, sempre sobra um sorriso que me entrega.
Moça, eu não tenho dinheiro, mas, se tivesse, teríamos uma casinha no pé da serra. Seria nosso abrigo. Seria pequena, mas daria pra nós dois. Se fosse preciso, a gente aumentaria depois.
Se eu fosse um escultor.... não, isso também não... ou quem sabe esses caras que fazem poções em shows públicos, viajando o país... mas também não sou nada disso. Meu dom são as palavras, e essas são pra você.
E você pode dizer pra todo mundo que esses versos são seus. Talvez eles sejam simples demais, mas é bem próximo do melhor que eu posso fazer. E, já que eles já foram escritos, eu espero que você não se importe que eu inventei de colocar em palavras como a vida foi incrível, enquanto você esteve no mundo.
Escrevo do alto de um telhado, com essa neblina deixando úmido o papel. Alguns desses versos até me confundiram um pouco, e o sol foi até piedoso enquanto eu escrevia. É por gente como você que ele ainda aparece toda manhã, como ele está fazendo agora, lá longe, tão longe, meio alaranjado.
Então, me desculpe se as coisas que eu faço, as coisas que fiz, não foram sempre verdes ou azuis, eu me esqueci da cor dos seus olhos e me lembrei das lágrimas. E é por isso que estou aqui. É o momento de me declarar. Saiba que ainda é seu o melhor abraço que já recebi.
E você pode até dizer que você tem palavras escritas pra você, mesmo que nem goste disso. Queria que soubesse que elas foram cuidadosamente selecionadas. Talvez até encontre algo que lhe agrade. E essas são pra você.

Esse é pra você



Eu já conversei com muita gente, já entendi muitos casos de amor mal resolvidos - mesmo embora não tenha entendido direito nem o meu. E acho que foi isso que nos fez nos falarmos pela primeira vez, essa coisa da necessidade de procurar alguém com quem falar sobre essas coisas do coração. E eu não sei nem por que, nem quando, eu gostei de você, gostei do seu jeito e da maneira como fala. Eu me interessei pelos seus problemas. É certo que muitos problemas me procuraram, mas eu poderia só considerar você como um comentário aleatório no blog (desabitado, devo dizer).
Não posso mentir, tivemos nossos desencontros e até uma certa dificuldade de comunicação, isso é verdade. E foram tantas tentativas de encontro. Frustradas, como não poderia deixar de ser.
Eu sei do seu medo da palavra "sempre", mas mesmo assim não tive dúvidas em te dizer que estaria sempre aqui pra você. Não "pra sempre", porque isso eu não falo mais, mas sempre, sim. Na verdade, estaria, se não fossem essas coisinhas. Eu não sei por que, nem quando, mas eu gostei de você. E achei que isso tivesse ficado claro na nossa conversa.
Esses versos são bem simples, mas, já que estão feitos, espero que você não se importe. Agora você pode dizer que alguém um dia escreveu algo pra você. Algo que você mesma disse que gosta muito. This one is for you.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Aquele sonho era pra sempre



Eu nunca esqueci como é ter você, e é por isso que estou aqui. Vim te falar o que eu preciso que você saiba, mas não sei se você quer saber. Eu tenho te esperado todos esses anos, eu tenho procurado seu carro pelas ruas, e às vezes até me permito pensar em você, e nas coisas que fizemos e passamos, e passar em frente a sua casa só pra sentir um pouquinho da sensação que eu sentia quando ia te buscar.
Eu sei que das outras vezes não foi tão bom assim, eu assumo meus erros, e concordo com você que muitas vezes passei dos limites e não fui o príncipe que eu parecia ser. Já faz anos desde a última vez e a gente já levou muito tombo, caiu, levantou, conheceu o mundo... Mas é a sua imagem que me vem na cabeça. Espera, ainda não terminei. Eu tenho lembrado de você com mais saudade do que nunca. Agora é diferente. Não penso em voltar só por voltar, só porque é legal. Pode não parecer, mas eu também cresci nesse tempo, também tive meus tombos e minhas decepções. Algumas me estragaram, me fizeram até cético e egocêntrico demais. Mas eu precisei ser assim pra sobreviver. Eu queria que você soubesse que não é mais como antes. Agora é diferente. Eu nem lembrava mais a cor dos seus olhos, e agora eu te vejo aqui na minha frente, como foram tantas outras vezes. É estranho, conhecer tão bem uma pessoa e não saber como falar sem ser em palavras abertas. E, sabe, a gente sempre foi assim, sempre em palavras abertas um com o outro. Eu nem acredito que estou aqui com você essa noite. Eu esperei tanto por esse dia... Não precisa se pressionar, eu não espero que você decida nada agora. Hoje eu só queria que você me ouvisse. Guardar tudo isso comigo estava me matando. Olha pra mim só mais um minuto, depois eu vou embora. Eu odiaria pensar que tive uma última chance de te olhar nos olhos como nos velhos tempos e deixar o momento escorrer pelos dedos. Eu achei que esse momento nunca chegaria pra mim, e menos ainda que você seria a atriz principal. Eu já tive muitos casos por aí, mas é sempre da nossa história que eu lembro com mais saudade. Eu quero de volta os nossos sonhos, quero ouvir a sua risada, e quero os olhinhos emocionados. Quero continuar nossa história. Dessa vez eu tenho certeza que quero só você na minha vida. Pra sempre.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Se eu soubesse que seria a última vez...



Hoje, quando acordei, senti a barriga doer muito. Eu sentia sua falta, mais forte do que nunca nesses anos. Fiquei ali meio bobo enquanto tentava entender o que acontecia. Parece que sentia uma não-presença sua ali do meu lado, como se minutos atrás você estivesse comigo. Ouvi passos pela casa, mas eu estava sozinho, não poderia haver ninguém comigo. Levantei o corpo e me apoiei no cotovelo. Fiquei olhando para a porta, tentando entender de onde aquele barulho vinha.
A sala escura só me deixava imaginando o que poderia estar acontecendo. E aí eu vi, uma imagem embaçada andando devagar. Entrou no quarto. Com os olhos marejados, me olhou em silêncio por uns instantes. Eu desci da cama e a imagem secou uma das lágrimas. Ela, então, pulou pra frente e me deu aquele abraço que há tanto tempo eu tinha chamado de "o melhor abraço que já ganhei". Coloquei meus braços em volta de sua cintura. E me abraçava forte, como se estivesse me esperando, como se tivesse me procurado tanto quanto eu a havia. Senti seu rosto gelado pelas lágrimas no meu pescoço. Meio sem voz, quase em tom de agonia, ela disse "Amor, que saudade!" Eu apertei mais o abraço, como se não quisesse que ela fugisse mais, como se dissesse "por favor, não vá embora nunca mais!" Ela colocou o rosto em frente ao meu e nos olhamos olhos nos olhos, como nos velhos tempos, no tempo em que o sonho e a realidade ocupavam o mesmo espaço. Eu passei a mão pelo seu rosto, e analisava cada detalhe, procurando as marcas que eu conhecia, e as que não estavam ali desde a última despedida. As lágrimas continuavam a cair, e eu sentia meu coração batendo forte. Ela me olhava como se não encontrasse palavras, e eu sabia que eu também não conseguiria falar nada. "Você não sabe como eu te esperei durante todo esse tempo..." "A minha vida tem sido um inferno desde aquele dia..." "Esquece isso... tudo passou... Eu estou aqui... Nós estamos aqui... Coloca essa blusa, tá frio lá fora." Se eu soubesse que aquela seria a última vez que ouviria sua voz sussurrando pra mim, eu te chamaria de volta pra mais um abraço. Se eu soubesse que aquele seria nosso último melhor abraço, eu ficaria mais um minuto ou dois, pra não deixar o tempo passar. Eu nem lembrava mais a cor dos seus olhos...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Metalinguagem II



Escrevo, pois não me resta outra alternativa. Tento encontrar as palavras certas, sem saber direito o que quer dizer "certo", dado que cada momento exige um comprometimento diferente. Escrevo assim, só tentando desenhar com palavras o que se passa aqui comigo, sem saber como começar ou quando parar. Queria lembrar do passado como o tempo em que tudo em minha vida começou a dar certo, e não como quando tudo se perdeu. Queria nossas fotos, nossos sorrisos. Eu guardei tudo isso, guardei cada abraço, mas não posso mostrar pra ninguém porque, mesmo estando tudo tão vivo na memória, não posso fazer com que outras pessoas sintam e vejam as imagens do tempo em que tudo começou.
Eu não sei escrever poesia, nem me peça pra tentar. Eu já tentei algumas vezes, tentei me aventurar no mar das palavras, dos redondilhos heróicos, das rimas ricas e dos sonetos. Mas ficou uma porcaria. Assim como esse monte de palavras perdidas aqui.
Gosto mesmo é dos textos "sem sentido", dessa coisa de ficar misturando os pensamentos.
Quero falar dos meus dias, das luas que vi e fiquei lembrando que você gostava de ver a lua, e do sol que vi nascer, das vezes que vimos juntos o sol nascer. Quero lhe falar o que ficou dormindo esse tempo todo, quero palavras simples, de significado completo. Quero um abstrato mais concreto, e sonhos mais reais. Quero uma metáfora que valha a pena, um eufemismo que me tire a dor por uns instantes. Quero ter sempre um espaço pra escrever, pra descarregar palavras presas no céu da boca, mas que não saem de outra forma a não ser pelas pontas dos dedos. Palavras que o tempo vai dar um jeito de apagar, guardadas num lugar já esquecido e pouco visitado, que nem a mais profunda memória consegue alcançar. Em tradução literal, palavras que saem do mesmo lugar onde estão os sentimentos que tenho guardado pra você, que tempo nenhum conseguiu tirar.