Escrevo, pois não me resta outra saída. Reorganizo as letras, pois não me resta outra idéia. Jogo palavras, pois não me resta outro artifício. A palavra pela palavra, o som das sílabas, tudo escandido sem métrica, sem lógica. A confusão que estes versos causam por não possuírem razão de ser. De ser como é, não de como era ou de como deveria ser. Não tratem da sintaxe, da análise léxica, da análise gramatical, verbal, nominal. Tudo aqui não passa de grupos de letras.Vale mais o som que transmitem e a forma como essas ondas vibram do que o próprio sentido que têm. Não é meu forte utilizar a linguagem de forma rebuscada e difícil. Escrevo simples. Pois pra mim assim é simples. Traduzo o que estiver pra ser dito, sem adornos, direto. Um floreio casual por ora me ocorre. Poesia não sei fazer. O mais perto que chego é fazer uns versinhos rimarem e pronto. Crônica também não é minha praia. E também não sigo uma escola literária definida. Gosto do classicismo, romantismo. Apesar de viver no realismo. Mas acho que posso sobrepôr os tempos verbais, ou temporais, para que fique tudo uma coisa só. Afinal, tenho uma licença poética que me permite escrever da minha forma, da forma como eu encontrei de montar o quebra-cabeça das palavras. Não sei nem se o desenho final é atraente. Metalinguagem. Desta vez utilizei uma figura de linguagem da palavra pela própria palavra. Entendeu? Tudo bem, era metalinguagem, não meta-emoção.



