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quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Eu te odeio



Eu odeio a forma como você se faz linda toda manhã.
Odeio como insiste em arrumar o cabelo do jeito que eu gosto.
Eu odeio a sua sandália preta e sua bota de couro. E a forma como elas ficam lindas no seu pé.

Eu odeio o seu sorriso lindo, e seus olhos apertadinhos quando sorri.
Odeio sua risada, quando nos dói a barriga quando rimos juntos.
Eu odeio as suas manhas, a sua vozinha macia e os olhos pidões quando quer carinho.

Eu odeio como você se encaixa no meu abraço.
Odeio principalmente essa forma de te odiar.
Eu odeio, na verdade, não conseguir, nem por um minuto, nem se eu quisesse, odiar você.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Dentro do bombom há um licor a mais



Eu lembro de um passado não muito distante... Foram tempos difíceis, encarar uma situação complicada e completamente nova... No começo eu encarei como um desafio. Depois, o desafio se tornou não gostar.
Eu lembro de um banco, de uma rua. Lembro de olhos pretos e um sorriso escancarado, tão verdadeiro que até apertava os olhos pretos quando surgia.
Esse foi um tempo que demorou pra passar. Foi uma estrada complicada, foram obstáculos grandes. Superou o que eu entendia de ajudar as pessoas. O desafio, então, era superar esse desafio. Este último desafio gerou outros, que geraram outros.
Finalmente, os desafios foram se tornando triviais, porque, na verdade, o desafio era um só: como não gostar?
Bom, nesse eu já tinha falhado... os outros... os outros eu não poderia... era um só que eu poderia falhar, e, se falhasse, os outros ficariam muito difíceis... E eu falhei.
Aí, sim, o caminho se mostrou difícil. Os desafios de multiplicavam, aumentavam em ordem exponencial. Tudo isso alimentado pela máxima de que, em se tratando de amor, todas as regras mudam. Havia as regras, e elas se contradiziam.
Foram tempos difíceis. Eu estava fazendo o que gostava, e estava gostando.
Tinha alguma coisa que me dava força, alguma coisa me falava pra continuar, mesmo cansado, mesmo sem idéias... O corpo cheio de poeira, a vista cansada e a cabeça girando... E eu te carregava no colo...
Os desafios foram caminhando, o caminho foi se tornando aberto... Encontrei uma clareira, em algum lugar do caminho... Aí eu pude descansar... era fim de tarde, as primeiras estrelas apareciam tímidas no céu... os raios do último sol apareciam como neon por entre as árvores... aí eu vi seus olhos, seu brilho... eu vi sua boca sorrindo pra mim... eu lembro que dormi... e quando acordei, você ainda estava lá... você ainda sorria... eu lembro de esboçar um sorriso tímido... não sei se foi sonho ou imaginação, ou se eu falei pra você mesmo que agora seríamos só eu e você... mas se nunca falei, se só sonhei, saiba agora por palavras abertas que, neste sonho, somos só eu e você...

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Anjos de gás



Amanhã de manhã, quando ver o sol pela primeira vez, imagine um mundo diferente, um mundo no qual você é a atriz principal, boneca de pano ou bailarina num palco.
Não deixe os pingos da chuva desviarem sua atenção, concentre-se nesse mundo surreal, nuvens de algodão baixinhas, formando com o sol uma dupla de luz espalhada por todo seu ser, entrando pelos seus olhos, invadindo seus pensamentos.
Ande por essa nuvem, viva seu mundo, todo o seu tempo, sinta essa nuvem como se fosse você, leve, suave...
Pense nas coisas que te fazem bem, nas pessoas que estão ao seu redor: nada disso está aí por acaso.
Repare na sua pele, olhe suas mãos, que perfeição da natureza, que olhos grandes lindos, que sorriso de criança...
Ainda que às vezes nada disso parece falar por si só o motivo de estar aí, com você, em você ou pra você, tudo tem uma razão, tudo acontece por algum motivo.
Deixe a nuvem sair agora, deixe-a voltar para o céu, para perto do sol, o mesmo sol cuja luz ela desviou.
Olhe pra você agora: uma nuvem, que espalha o brilho por aí, que tem sol para iluminar, agora é só você, e as coisas que você imaginou, e as pessoas de quem você lembrou, e seu lindo olhar, e seu lindo sorriso, no meu céu...