Eu deveria eu mesmo dar mais ouvido às coisas que eu mesmo falo. Parece que todas as regras que eu crio nunca se aplicam a mim. Nessas infinitas conversas que tenho com as pessoas eu sempre mostro o que está acontecendo, revelo o que está escondido, mostro os segredos da alma que elas mesmas não conseguem ver. Mas e eu? Por que eu mesmo não consigo ver o que se passa aqui dentro? Que segredos são esses que eu carrego e não consigo enxergar?
Será que é assim tão difícil enteder por que entendo as pessoas, e não me entendo? Por que toda vez que falo que vou me amar mais, acabo adiando minha felicidade em função de outras pessoas? Parece uma espécie de equilíbrio desequilibrado: só depois de ter certeza que todo mundo tá bem que eu começo a pensar o que posso fazer por mim. Mas o pior ainda não falei. O pior é que eu gosto disso!! Isso que não dá prá entender! Como assim eu prefiro adiar a minha felicidade em função de outras pessoas? Pior que isso ainda é que tem vezes que eu consigo buscar a minha paralelamente enquanto procuro de outros. Um tanto quanto complexo, duas vidas, dois amores.
"Tem gente que sobrevive do que eu escrevo", eu disse. "Afinal, tem gente que sobrevive do que você escreve", me disseram. E eu sei como isso é importante, pra mim e pra quem lê. Sei como procuram aqui suas fugas da realidade. Sei que já abrem meu blog esperando alguma novidade, um texto que as diga como viver, como encarar a vida de uma maneira melhor. E isso tudo é a minha fuga da realidade também. Entro aqui pra extravasar o que tá transbordando, pra me tirar do chão por alguns minutos. Durante algum tempo eu não estou aqui, não tem ninguém em volta de mim, e o meu mundo é só quem eu quero e o que eu quero. E tem gente que sobrevive desse mundo irreal, sem perceber tomam pra si esse universo que não existe, essas palavras confusas, escritas sem ordem, sem correção, sem sentido. E cada um encontra sua versão disso, cada um cria seu mundinho, cada um foge como pode e cria as sensações que quiser!
E agora que eu tinha espantado todos os fantasmas e meu mundo imaginário estava bem perto do real, agora que eu tinha me acertado com a vida, agora que tinha ficado em paz com meu coração, um acordo mal firmado, uma história mal resolvida, um palhaço mal sucedido, faço papel de bobo, me maqueio, sorrio, levanto sorrisos e seco as lágrimas. Mas pra que? Se o mundo volta sempre ao que era: como ele realmente é, como ele era ou como deveria ser. Mas volta, e mais confuso, mais incerto. Não sinto os pés no chão, é uma saudade sem nome, é a noite fria demais. Não faz sentido! Onde tá o fim do labirinto? Quem cortou a ponta do fio que eu estava esticando? Nem asas de cera eu tenho pro sol queimar.
Nem Zeus, nem Hera
Nem Afrodite, nem Diana
A vida como era
Um nome simples como Ana
Não me importo se a respiração dói, se a imagem não se apaga. Eu só quero fechar os olhos agora, não faz sentido, não quero ver, não quero ouvir! Não grite!
Mas promete que vai lembrar de mim com carinho... Só essa noite e nunca mais... Amanhã, nada mais vai estar aqui... Goodbye, my lover...