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quarta-feira, 27 de junho de 2007

...incansável...



Não sei se é dor ou amor, solidão ou ilusão, só sei que esconde seu coração. Tem um quê especial, talvez emoções não vividas, desejos contidos, saudades guardadas dentro do peito, doces lembranças... Tem na alma raios de luar com beleza e magia. E entre o medo e a esperança espera um novo amanhecer.
Eu ainda tenho luz e mistério no olhar, ainda tenho a lua e muitas canções. Sou assim, não muito quietinho, mas muito mineirinho, de alma cigana cheio de defeitos. Sou de muito falar, mas posso ouvir também. Sou cheio de saudades, que de vez em sempre, desabrocham de meu peito e chegam aqui na forma de palavras, que sangram ou que suspiram. É meu jeito Bruno de ser...
[postado no meu flog em 20 de julho de 2006]

terça-feira, 26 de junho de 2007

...memória...



Eu não sei por onde começar. E não pensei no que escrever. Portanto, permita-se se perder nestas linhas e deixar sua imaginação viajar. Permita que sua memória te traga sensações que você esqueceu que já havia sentido.
Permita-se levitar por alguns instantes, saia desse mundinho apertado, do qual você já está cansado. Imagine um tempo bom de sua vida. Como era lá? Quem estava com você? O cheiro... como era? Que cor tem essa sua lembrança?
Volte mais no tempo... reveja quem já foi embora... os amigos que passaram pela sua vida... ex-namoradas... quem mais se importava com você? Sente falta? Traga de volta à memória... Permita-se recordar dos velhos tempos sem culpa, sem propósito... Não precisa explicar prá ninguém, só lembre. Lembre da infância. Olha pros seus dedos, mexa um pouco nas coisas, no cabelo... Você nasceu sem cabelo. Esse sorriso amarelo também não estava aí antes. Olha no espelho. Tudo isso aí é você. Não, você não tá gorda. Você tá linda! Olha só o que Deus te deu! Agradece Ele por isso, vai. Faz quanto tempo que você não agradece a sua vida, os seus sonhos? Olha em volta de você, quanta coisa mudou. A poeira da estrada nem existe mais, a poeira da cidade é a poluição.
Parece que era ontem que eu estava te olhando sorrindo, que eu te senti me abraçando. Parece que foi ontem que fizemos planos e imaginamos a semana que vem.
Sabe de uma coisa? Me dói lembrar, saber que te vi sorrindo tão de pertinho e hoje tudo que guardo é uma memória da sua risada. Pega na minha mão, eu sei que tá frio lá fora, mas eu te seguro, eu te protejo, eu te agasalho. Como é bom te ter sorrindo de volta... Como você tá linda hoje...
Mas é só hoje assim... Hoje eu vou te deixar ir embora... Hoje eu te olhei... olhei bastante... eu sabia que seria a última chance que teria de fazer isso... O que importa agora se eu estava disposto a te ver feliz? O que importa nossa memória, ou se eu tinha planos prá gente? Dois adolescentes pela madrugada... E como era bom te abraçar, te ver sorrindo... Tá! Passou tá? O que te importa saber que tá me doendo, que essas lágrimas estão incomodando? É, não importa. Do mesmo jeito que a memória não importa. Mas amanhã tudo vai ser diferente. Mesmo que não seja. Vou te guardar na memória com carinho... e... bom... durante algum tempo eu vou me permitir pensar que você vai voltar prá gente retomar de onde parou... mas só por alguns dias... depois disso... só memória...

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Sonhos de um palhaço



Eu deveria eu mesmo dar mais ouvido às coisas que eu mesmo falo. Parece que todas as regras que eu crio nunca se aplicam a mim. Nessas infinitas conversas que tenho com as pessoas eu sempre mostro o que está acontecendo, revelo o que está escondido, mostro os segredos da alma que elas mesmas não conseguem ver. Mas e eu? Por que eu mesmo não consigo ver o que se passa aqui dentro? Que segredos são esses que eu carrego e não consigo enxergar?
Será que é assim tão difícil enteder por que entendo as pessoas, e não me entendo? Por que toda vez que falo que vou me amar mais, acabo adiando minha felicidade em função de outras pessoas? Parece uma espécie de equilíbrio desequilibrado: só depois de ter certeza que todo mundo tá bem que eu começo a pensar o que posso fazer por mim. Mas o pior ainda não falei. O pior é que eu gosto disso!! Isso que não dá prá entender! Como assim eu prefiro adiar a minha felicidade em função de outras pessoas? Pior que isso ainda é que tem vezes que eu consigo buscar a minha paralelamente enquanto procuro de outros. Um tanto quanto complexo, duas vidas, dois amores.
"Tem gente que sobrevive do que eu escrevo", eu disse. "Afinal, tem gente que sobrevive do que você escreve", me disseram. E eu sei como isso é importante, pra mim e pra quem lê. Sei como procuram aqui suas fugas da realidade. Sei que já abrem meu blog esperando alguma novidade, um texto que as diga como viver, como encarar a vida de uma maneira melhor. E isso tudo é a minha fuga da realidade também. Entro aqui pra extravasar o que tá transbordando, pra me tirar do chão por alguns minutos. Durante algum tempo eu não estou aqui, não tem ninguém em volta de mim, e o meu mundo é só quem eu quero e o que eu quero. E tem gente que sobrevive desse mundo irreal, sem perceber tomam pra si esse universo que não existe, essas palavras confusas, escritas sem ordem, sem correção, sem sentido. E cada um encontra sua versão disso, cada um cria seu mundinho, cada um foge como pode e cria as sensações que quiser!
E agora que eu tinha espantado todos os fantasmas e meu mundo imaginário estava bem perto do real, agora que eu tinha me acertado com a vida, agora que tinha ficado em paz com meu coração, um acordo mal firmado, uma história mal resolvida, um palhaço mal sucedido, faço papel de bobo, me maqueio, sorrio, levanto sorrisos e seco as lágrimas. Mas pra que? Se o mundo volta sempre ao que era: como ele realmente é, como ele era ou como deveria ser. Mas volta, e mais confuso, mais incerto. Não sinto os pés no chão, é uma saudade sem nome, é a noite fria demais. Não faz sentido! Onde tá o fim do labirinto? Quem cortou a ponta do fio que eu estava esticando? Nem asas de cera eu tenho pro sol queimar.
Nem Zeus, nem Hera
Nem Afrodite, nem Diana
A vida como era
Um nome simples como Ana
Não me importo se a respiração dói, se a imagem não se apaga. Eu só quero fechar os olhos agora, não faz sentido, não quero ver, não quero ouvir! Não grite!
Mas promete que vai lembrar de mim com carinho... Só essa noite e nunca mais... Amanhã, nada mais vai estar aqui... Goodbye, my lover...