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domingo, 27 de agosto de 2006

Como maré, como algo que não canso de saber



Olhando pro passado tive medo, e quis fugir. Me deparei com um futuro incerto e tive mais medo ainda. Parei no segundo atual.

Sentimentos me sondam e pensamentos me perseguem como fantasmas. O tempo passa sem graça e nada tira esse medo. Do desconhecido, do incerto, do que está por vir. Ansiedade e expectativa revezam-se para me deixar apreensivo. Decisões e escolhas a serem tomadas e feitas. Por enquanto sem preciptações. Um ir e vir que não entendo...
... como um si menor transfigurado em dó maior, ou dor maior;
... como o refrão de um bolero esquecido, que embalava corações e nunca mais tocou;
... e a melodia da Jovem Guarda que não faz mais dançar seus fiéis adeptos, hoje velhos e fracos;
... as lembranças da infância, da qual nada mais existe, reafirmando que tanta coisa já passou, e tanta coisa vai passar, e tanta coisa já veio e ainda está por vir;
... ou um traço mal feito que não pode ser apagado nem corrigido;
... e o outono que passou e outras estações ocupam o espaço perdido, nunca esquecido;
... como as emoções de um coração acostumado a pulsar em sincronia com outro, sem saber como é ser só um, que de tanto bater, parou;
... ou a emoção nova que chega e me arremessa contra o cais.
E muitos outros ir-e-vir irão e virão, e muitas outras coisas vou escrever sobre isso. Assim é pra mim, é pra você, é pra todo mundo. O problema é não podermos compartilhar com ninguém essas sensações, porque ninguém viveu o que eu vivi, nem eu o que ninguém viveu. Talvez por isso o mundo seja um círculo, a forma perfeita, sem cantos, sem lados, sem lugar de fuga ou esconderijo, para nos lembrar que apesar da vida temos de continuar a viver, porque ele não vai parar e também não dá pra fugir.
E sempre se pode recriar o futuro à nossa imagem e semelhança. É só querer arriscar.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Querendo enamorarse



Tanto tempo já passou e eu volto a escrever aqui.
Tanta coisa mudou, aqui dentro quase nada é como era antes, em tempos que a felicidade costumava ser uma constante, não uma incógnita, em minha vida.
Tanto tempo faz e eu não esqueci nem desaprendi.
Apenas esse coraçãozinho aqui que insiste em sair à noite, procurando alguma emoção que o envolva, que lhe satisfaça, já que o dono não toma uma atitude logo e pára logo com essa história de pessimismo.
E ele tá louco pra se apaixonar de novo...
Andar de mãos dadas numa tarde de sábado, rir tomando sorvete ou rasgar elogios ao ver aquela princesinha toda arrumada prá mim quando sairmos à noite...
Mandar flores e sentir todas essas baladas românticas bregas tocarem fundo na alma, e arrepiarem com cada palavra dizendo "não dá prá te esquecer"...
Dar toquinhos no celular antes da aula, na hora do almoço ou antes de dormir, só prá lembrar que o pensamento continua nela...
Admirar cada coisa simples da vida, sentir saudade, tocar mãos suaves e delicadas, ter a certeza que há alguém à minha espera, torcendo por mim, sentir um abraço emocionante, e dar abraços protetores, proteger do frio e da solidão, enxugar lágrimas, fazer dormir...
Ter um ponto de certeza de que a vida não está se passando inultimente, que o esforço está sendo feito, observado e valorizado por alguém...
Quero me declarar, mostrar prá mim mesmo que não perdi a arte do romantismo. Quero ver olhinhos brilhando e sorrisos lindos toda vez que me ver, vir correndo em minha direção, e ouvir encantada e extasiada minhas palavras de devoção.
Mas por não ter ninguém, esse coraçãozinho fica solitário e cansado.
E de tanto bater, parou...

Enquanto isso a vida vai passando...




Às vezes ainda me pego pensando em tudo o que aconteceu. Tentei até repassar mentalmente tudo o que passamos, mas sempre uma saudade ou uma lágrima me forçava a parar e recomeçar tudo de novo, ou pular alguns trechos da nossa história, e acabei me perdendo e não conseguindo reviver todo aquele sonho lindo que não era prá ter fim. Assim era nossa promessa.
Não sei em que parte me perdi, se foi nas festas que fomos, nos Natais ou Anos Novos que passamos juntos, nos presentes que trocamos nessas datas, nas rosas vermelhas que você ganhava todo mês, na minha fantasia de palhaço, me declarando prá você, na nossa fantasia da festa, no dia que conheci sua família ou no dia que você conheceu a minha. Não sei se me doeu mais o primeiro beijo ou as últimas palavras que entraram como catéteres em meu coração. Não sei se tenho mais saudade do seu sorriso ao me ver, ou da sua lágrima na minha partida. E não sei quais palavras ecoam mais, se o "te amo prá sempre" ou o "promete que nunca vai me deixar?"
Não sei qual luz brilhava mais, se a do seu olhar, se a do seu sorriso, ou da lua cheia que tanto te encantava. Também não sei dizer qual música gosto mais de ouvir, as que você se lembrava de mim, ou as que faziam eu me lembrar de você.
Também não consegui lembrar de nenhum dia mais aterefado que as insólitas e monótonas tardes de sábado em sua casa, nem dia mais calmo que aquele correndo atrás da nossa fantasia de última hora.
E também não sei dizer se hoje as coisas estão como estão por sua causa ou por minha causa, se é pela raiva que senti de você, ou pelo amor.

sábado, 19 de agosto de 2006

Jovens tardes de domingo (Roberto Carlos)




Eu me lembro com saudade o tempo que passou
O tempo passa tão depressa mas em mim deixou
Jovens tardes de domingo, tantas alegrias...
Velhos tempos, belos dias
Canções usavam formas simples pra falar de amor
Carrões e gente numa festa de sorriso e cor
Jovens tardes de domingo, tantas alegrias
Velhos tempos, belos dias

Hoje os meus domingos são doces recordações
Daquelas tardes de guitarras, sonhos e emoções
O que foi felicidade me mata agora de saudade
Velhos tempos, belos dias

Vinha voando no meu carro quando vi pela frente
Na beira da calçada um broto displiscente
Mas vejam só que festa de arromba
Que outro dia eu fui parar


quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Reverência ao destino (Carlos Drummond de Andrade)




Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros...
...ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer.
Ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus".
Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade,sem ter medo de viver, sem ter medo do depois.
Amar e se entregar.
E aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência.
Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta.
Ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria..
Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma.
Sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupa o coração de alguém.
Saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgate.

domingo, 13 de agosto de 2006

Dois pais, dois filhos: 3 pessoas



Quando eu era pequeno, imaginava meu pai como o único homem do mundo. Era o mais forte, o todo poderoso, o mais lindo. Mas era também o mais bravo, a pessoa que eu tinha mais medo. Eu não lembro muito DELE naquele tempo. Lembro das cabaninhas com cobertor, de me pegar com o peito nos pés e brincar de aviãozinho, de me ensinar a andar de bicicleta, e dançava a música dos Duck Tales antes de sair sem eu perceber para ir trabalhar e voltar depois de muito tempo. Sem esquecer dos esporros também, que doíam bastante.
O tempo foi passando e sempre aquela figura séria e brava ao meu redor.
Analisando agora minha vida percebo que tinha um pouco da história da literatura hehehe.
No tempo do romantismo, o sentimentalismo era mais forte, e o medo imposto pela figura caracterizada acima nunca saiu de perto. E muitos sentimentos me passaram. Uns o viam como um ídolo, outros como alguém que queria a minha destruição. Eu o queria como meu professor de matemática, o via como amigo, mas não me sentia seguro em tê-lo por perto. Tinha medo.
Três ou quatro anos se passaram, e minha fase de vestibulando chegou. Os sentimentos do "romantismo" eram os mesmos. Agora era meu professor de matemática, da área que eu queria seguir. Me ajudou, mas também me causou constrangimentos dos quais não esqueci, e que não vale a pena serem relembrados aqui.
Mais alguns anos se passaram e me vejo aqui, entre o romantismo e o realismo. Olho prá trás e vejo muito mais tempos ruins do que alegres. Eu o queria menos bravo, menos autoritário, mais amigo, menos presente, mais aberto, menos fumante, mais alegre, menos tirano. E a vida agora começa a separar nossos caminhos, e daqui a algum tempo não precisarei mais dele prá me dar ordens, me ensinar coisas idiotas que eu não consigo ver, me dar broncas nem trabalhar tanto só prá pagar minhas contas, me fazer rir nem me desejar boa viagem e incentivar que eu estude bastante. Não precisarei mais deixar palavras engasgadas na garganta nem sentir tanta raiva. Tudo isso só prá perceber que eu queria mesmo era ter meu pai prá sempre.

sábado, 12 de agosto de 2006

Prá quem? Prá ninguém?




Tinha tudo pra ser só uma tarde monótona, como foram tantas e tantas nos últimos dias. Mas me meti a limpar o carro ouvindo música, e quando faço alguma coisa ouvindo música muitos pensamentos me vêm à cabeça. Quando tive esse, lembrei do que uma amiga minha disse, duas vezes: "Bruno, você é poeta" e "Será que os poetas sentiram e passaram mesmo por tudo isso que eles escrevem? ". Bom, eles eu não sei, mas eu sim. O que escrevo sempre é baseado em algo por que passei.
Hoje me passou coisas muito distantes pela cabeça, e também muitas de um passado muito recente. Esse tonto que lhes escreve já inventou de se apaixonar outras vezes, e o precipício foi muito grande quando tudo aquilo acabava, e eu sempre ouvia "Logo você encontra outra", "Não é o fim do mundo" e "Você vai amadurecer e vai encontrar outra que te faça tão feliz ou mais". Não foi o fim do mundo, exceto um certo tempo que se seguiu ao fim. Será que dizer "logo você encontra outra" era a melhor opção? Pô! O mundo acabando porque perdi alguém de quem gostava muito e me falam que vou encontrar outra? Quer dizer, eu estava errado, vai ter uma substituta, vou me apaixonar de novo e vou passar por tudo isso de novo... qual opção? Ah, francamente! Melhor teria sido não dizer nada. Mas a parte que mais me chamou a atenção foi "Você vai amadurecer e vai encontrar outra que te faça tão feliz ou mais". Amadurecer? Por quê? É preciso? Se eu estava tão bem como estava, é preciso amadurecer? E o que vai provocar esse amadurecimento? O fim? A experiência passada? As lágrimas derramadas? E se não tivesse acabado, não haveria amadurecimento?
Tantas dúvidas, tantas perguntas... Uma pena que não dá pra saber como seria "com ela" e "sem ela", só uma opção é possível... Enquanto isso, o tempo vai passando...

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Modificação #1: sem cera




Pra ser sincero agora eu não espero de você nada mais além de educação, nem espero mais beijos sem paixão. Não me permitirei cometer crimes sem castigo por você. O que aceito agora é só aperto de mãos. E acho que nem seremos apenas bons amigos, como você queria. Pra ser sincero eu não espero que você minta [de novo]. Não quero que se sinta capaz de me enganar, pois sou do tipo que não engana nem a si mesmo.
Nós dois temos os mesmos defeitos, e até as mesmas qualidades. E confesso que adquiri muitas das suas qualidades e dos seus defeitos nesses anos, e isso é uma pena prá você. Outro ponto negativo prá você é que sabemos tudo a nosso respeito. O que vejo olhando pro passado é que somos suspeitos de um crime perfeito, mas crimes perfeitos não deixam suspeitos, e é aí que não entendo por que o crime não durou. Pra ser sincero não espero que você me perdoe por ter perdido a calma, por ter inventado desculpas prá te fazer surpresas, por inventar de te adorar como a uma deusa, por ter dito que te amo, por ter vendido a alma ao diabo prá te fazer feliz! Mas o mundo gira, sempre, e não pára. Quem sabe um dia desses, num desses encontros casuais talvez a gente se encontre, e talvez a gente até encontre explicação prá tudo o que aconteceu, e prá tudo o que não aconteceu. Um dia desses num desses encontros casuais talvez eu diga "minha amiga, pra ser sincero, prazer em vê-la, até mais...". Mas esse dia ainda não chegou, e por enquanto eu prefiro não dizer nada. No fim das contas, não espero que valorize nada do que se passou, como você fez, mas que tenha comigo a mesma cordialidade com que me fez sorrir por dois anos.

título: a palavra "sincero" tem origens gregas. Produtos originais, sem modificação, estavam "sem cera".

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Se eu soubesse



Se eu soubesse que essa seria a última vez que eu veria você dormir, eu aconchegaria você mais apertado, e rogaria ao Senhor que protegesse você.


Se eu soubesse que essa seria a última vez que veria você sair pela porta, eu abraçaria, beijaria você, e chamaria você de volta, para abraçar e beijar uma vez mais.

Se eu soubesse que essa seria a última vez que ouviria sua voz em oração, eu filmaria cada gesto, cada palavra sua, para que eu pudesse ver e ouvir de novo, dia após dia.


Se eu soubesse que essa seria a última vez...eu gastaria um minuto extra ou dois, para parar e dizer: "EU TE AMO", ao invés de assumir que você já sabe disso.


Se eu soubesse que essa seria a última vez...eu estaria ao seu lado, partilhando do seu dia, ao invés de pensar:
"Bem, eu tenho certeza que outras oportunidades virão, então eu posso deixar passar esse dia". É claro que haverá um amanhã para se fazer uma revisão, e nós teremos uma segunda chance para fazer as coisas da maneira correta.


"É claro" que haverá um outro dia para dizermos um ao outro: "EU TE AMO", e certamente haverá uma nova chance de dizermos um para o outro:
"Posso te ajudar em alguma coisa?"


Mas no caso de eu estar errado, e hoje ser o último dia que temos, eu gostaria de dizer o que já disse tantas vezes, e espero que nunca nos esqueçamos disso.

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Te quero pra mim



Chegava em casa já era de manhã
Depois de uma noite de amor
Do pensamento não sai
Se eu pudesse voltar atrás
Pra sentir o seu calor

Pra te abraçar
Pra te beijar
Pra saciar essa louca paixão
Te quero pra mim
Viajar no seu prazer
No seu mar azul
Então acender ainda mais (de novo) esse tesão
Eu nem quero dormir
Eu te quero pra mim

Na minha camisa o seu batom
O cheiro do suor do nosso amor
Mas o que eu vou fazer
Pra esquecer você
Sei que não vou mais te ter

Pra te abraçar
Pra te beijar
Pra saciar essa louca paixão
Te quero pra mim
Viajar no seu prazer
No seu mar azul
Então acender ainda mais (de novo) esse tesão
Eu nem quero dormir
Eu te quero pra mim